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03/12/2011

O MUNDO ESPIRITUAL

As Esferas Espirituais

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As esferas espirituais são as diversas subdivisões vibratórias do Mundo dos Espíritos. Estão para a vida extra-física assim como os continentes e os países estão para o mundo físico. Os antigos já aceitavam a idéia da existência de muitos céus superpostos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por centro. Essa idéia, que foi a de todas as teogonias, faziam do céu os diversos degraus da bem aventurança; o último deles era abrigo da suprema felicidade.
Segundo a opinião mais comum, havia sete céus e daí a expressão estar no sétimo céu - para exprimir perfeita felicidade. Os muçulmanos admitem nove céus, em cada um dos quais se aumenta a felicidade dos crentes. A teologia cristã reconhece três céus; é conforme esta crença que se diz que Paulo foi alçado ao terceiro céu.
A obra Kardequiana, pelo fato de ser muito mais de síntese do que de análise, ocupou-se pouco com o exame do Mundo dos Espíritos. Estudando as diversas obras do Codificador, notamos que os Espíritos foram muito econômicos em informações à respeito de seu mundo.
Foi a partir de 1943, com o livro "Nosso Lar", de autoria mediúnica do Espírito André Luiz, pelas mãos de Chico Xavier, que nós passamos a compreender, com maior profundidade, as regiões extra-físicas.
Sabemos hoje, que o mundo dos Espíritos é subdividido em várias faixas vibratórias concêntricas, tendo a Terra como centro geométrico. A atmosfera espiritual das diversas esferas será tanto mais pura e eterizada quanto mais afastadas da crosta elas estiverem.
Os Espíritos de maior luminosidade habitarão, naturalmente, as esferas mais afastadas, embora tenham livre trânsito entre elas e com freqüência visitem as esferas inferiores em tarefas regenerativas e esclarecedoras. Em cada esfera, o solo tem consistência material, e acima se vê o céu e o sol. Diversas cidadelas espirituais, postos de socorro, ou instituições hospitalares estão distribuídas nas diversas esferas, abrigando Espíritos em condições evolutivas semelhantes.
André Luiz dá o nome de Umbral às três primeiras esferas, contadas a partir da crosta, e segundo este autor, a região umbralina é habitada por Espíritos que ainda necessitam reencarnarem no planeta Terra, comprometido que estão com vida neste orbe.
Sobre o umbral, André Luiz em "Nosso Lar" dá o seguinte depoimento:
"É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram atravessar as portas dos deveres sagrados, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos. Funciona como região de esgotamento de resíduos mentais. Pelo pensamento os homens encontram no Umbral os companheiros que afinam com as tendências de cada um. Cada Espírito permanece lá o tempo que se faça necessário."
Informa também André Luiz que os Espíritos que estão nas esferas superiores podem transitar pelas esferas que lhes estão abaixo, mas os Espíritos que estão nas esferas inferiores não podem, sozinhos, passar para as superiores.
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Fonte: CVDEE

01/12/2011

NOTA OFICIAL SOBRE O ESTADO DE RAUL TEIXEIRA - 01-12-2011

NOTA OFICIAL SOBRE O ESTADO DE RAUL TEIXEIRA -01-12-2011 - 16:30 minutos

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Raul continua a apresentar melhoras bastante significativas no seu quadro.
...
Ontem ele recebeu um aparelho especial que promove impulsos elétricos no antebraço direito, fazendo-lhe abrir e fechar a mão. O objetivo é que ele exercite esse movimento e ”visualize” o cérebro dando os comandos: "abrir e fechar a mão". Trata-se de uma tecnologia nova que seu médico conseguiu levar ao hospital para que nosso Raul fosse o primeiro a utilizá-la.
Como novidade, para satisfação de todos que lhe acompanham, nosso irmão começou a movimentar o ombro direito durante os exercícios terapêuticos. Segundo os relatos, causa emoção aos profissionais do hospital e aos pacientes a postura do Raul: sorridente, calmo e paciente. Além disso, atrai a atenção no departamento de reabilitação, porque continua andando firmemente pelos corredores do Hospital. Agora algumas enfermeiras e terapeutas já brincam com ele chamando-o de "supervisor", porque anda olhando e acenando para todos.
A fonoaudiologia ganhou ânimo novo desde ontem, quando ele respondeu prontamente aos exercícios de movimentos da boca, emitindo os sons das nossas vogais e sílabas como pá, pê, má, mê, bê, bá, ... Também progrediu bastante ontem e hoje com exercícios de compreensão.
Eventualmente, porém, ele não consegue executar alguns comandos que lhe são dados, tais como: "coloca a perna esquerda para frente". Ele coloca a perna direita ou coloca a perna para trás ou, então, não entende o comando. Os esforços prosseguem... Muita Paz!

Diretoria da Sociedade Espírita Fraternidade.

30/11/2011

ÚLTIMAS NOTÍCIAS SOBRE RAUL TEIXEIRA - 29.11.2011

16:30 minutos
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NOTA OFICIAL SOBRE O ESTADO DE RAUL TEIXEIRA
30-11-2011 - 16:30 minutos
Nosso querido irmão teve um fim de semana bastante movimentado com exercícios e terapias ministradas por seu médico. Caminhou bastante, carregou uma sacola com 11 libras (aproximadamente 5 Kg) pelos corredores do hospital e fez exercícios específicos para o cérebro e para o braço, além da fonoaudiologia que é o mais pesado para ele.
Segundo os relatos,  Raul apresenta expressivas melhoras, como por exemplo, a rapidez com que escreve palavras mais complexas. A escrita não é livre. Ele copia as palavras escritas para ele. Mas já se constitui em um grande avanço, porque antes ele levava muito tempo para escrever um nome.  Agora escreve em poucos minutos várias palavras. O próximo passo será fazer com que ele junte as palavras e formule frases espontaneamente. 
Outra novidade: consegue escrever o próprio nome sem ver em lugar nenhum, apenas ouvindo.  Também falou espontaneamente a palavra "ótimo!" para o médico quando este explicou que ele receberia em breve um aparelho no braço direito que provoca impulsos elétricos com o propósito de estimular a reconectar essa região com o cérebro.  Junto com todos esses procedimentos, continua a terapia ocupacional na tentativa de provocar o movimento da mão.
Uma nota interessante é que uma paciente de derrame pediu para ser levada de cadeira de rodas até à porta do quarto do Raul.  Ela disse que ele a inspira com o andar firme. Os companheiros presentes afirmaram que iriam orar por ela.  Emocionada, agradeceu dizendo que faria o mesmo pelo Raul.
As informações que nos chegam são muito auspiciosas e nos revelam um Raul dotado de grande paciência, resignação e submissão à Vontade Divina, revelando o que o conhecimento espírita associado a fé em Deus pode proporcionar.

Muita paz.
Diretoria da Sociedade Espírita Fraternidade.

Assista a estes maravilhosos videos sobre Mediunidade proferidos pelo querido Raul.

28/11/2011

AS PESSOAS MÁS E A JUSTICA DIVINA

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Umberto Ferreira                                                                          A Terra é um planeta de expiações e provas e os espíritos que nela reencarnam são, em sua maioria, imperfeitos e, por isso, sujeitos a cometer erros. Num tipo de planeta como esse, o mal predomina sobre o bem.

Ao lado de pessoas de índole boa, há indivíduos de natureza perversa. Os bons, freqüentemente, são mais doentes, sofrem mais e vivem menos. Os maus, com raras exceções, gozam boa saúde, vivem mais tempo e parecem sofrer menos.

Esse contraste pode nos induzir a pensar que Deus exige mais dos bons e deixa os maus agirem livremente, se examinarmos o problema como se o espírito só encarnasse uma vez. Muitas pessoas ficam intrigadas com a não intervenção do Criador. E questionam: por que Ele não detém os delinqüentes, sobretudo os que reincidem nos mesmos crimes? Por que não retira deste mundo tais pessoas? Por que não impede tais atos?

A Doutrina Espírita nos fornece preciosos esclarecimentos sobre o assunto, fundamentados na reencarnação, livre-arbítrio e lei de causa e efeito.

Cada existência é planejada, com antecedência, no Mundo Espiritual, antes da reencarnação. A duração da existência, saúde, doenças mais sérias, riqueza, pobreza fazem parte do planejamento. E todos os espíritos reencarnam com o objetivo de progredir, de só fazer o bem e de resgatar as dívidas contraídas em outras existências. Ninguém vem à Terra para fazer o mal.

Depois de reencarnados, os espíritos conservam o livre-arbítrio. Podem desviar-se dos rumos traçados no Mundo Espiritual, abandonar os planos de trabalhar pelo próprio aperfeiçoamento e desviar-se para o caminho do mal. Os espíritos mais imperfeitos correm maior risco de cometer tais desvios, enquanto os que já conquistaram certas qualidades costumam cumprir os planos traçados antes da reencarnação.

Deus não intervém. Deixa que suas leis se cumpram no momento oportuno. Ensina-nos Allan Kardec: "A prosperidade do mau não é senão momentânea, e se ele não expia hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre, está expiando o passado" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 6).

Fica claro, pois, que o próprio espírito, utilizando o livre arbítrio que Deus concede a todos, traça a sua trajetória de deslizes e crimes hoje e grande sofrimentos no futuro, ou de aprendizado, lutas e sofrimentos hoje e felicidade no futuro.

Revista Espírita Allan Kardec, nº 39.

25/11/2011

ÚLTIMAS NOTÍCIAS SOBRE RAUL TEIXEIRA-26.11.2011

Nota oficial sobre o estado de saúde de Raul Teixeira.
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Considerando o número de e-mails e ligações telefônicas dos amigos desejando informações sobre nosso estimado Raul Teixeira, a Diretoria da Sociedade Espírita Fraternidade - SEF, decidiu informar, por nosso site, notícias oriundas dos Estados Unidos, Nova Iorque, onde Raul se encontra internado. Procuraremos concentrar as notícias por meio deste canal, refletindo a máxima fidedignidade.

26-11-2011 - 19:30 minutos
O estado de saúde do nosso Raul continua bom e progredindo a cada dia.
A fisioterapia é intensa, crescente e sempre com novos exercícios.
Os profissionais responsáveis por sua reabilitação, tem alcançado grande progresso nas áreas afetadas, que apresentam respostas significativas aos estímulos provocados: já levanta sozinho e caminha bem melhor.
A região mais delicada e que merece mais atenção é a da fala, embora de vez em quando pronuncie uma ou outra palavra, pois o desenvolvimento nessa área é normalmente mais lento.
Apesar das naturais limitações, seu ânimo, alegria e bom humor são incontestáveis.
A visitas continuam proibidas, por ordem médica, não obstante a certeza do carinho de todos para com ele, mas no momento não contribuiriam para a sua recuperação.
Continuamos agradecidos pela vibração de todos, rogando a Meigo Nazareno que nos guarde e abençoe nas lutas de cada dia
Diretoria da Sociedade Espírita Fraternidade

24-11-2011 - 18:30 minutos
As notícias sobre nosso Raul continuam animadoras.
Foram intensificadas as sessões de fisioterapia com testes nas áreas do equilíbrio, da postura, dos movimentos, da voz, com progressos acentuados. Embora as dificuldades naturais nesse processo de recuperação, é bastante satisfatória a evolução do seu quadro, inspirando atenção e cuidados ininterruptos. A área responsável pela cognição foi avaliada por uma neuropsicoterapeuta, não demonstrando nenhuma alteração. Raul já exercita um pouco de leitura e de escrita no computador.
Os resultados das últimas tomografias foram normais. Novos exames serão realizados em outras áreas em busca das causas do evento e com o objetivo de prevenir outros episódios de mesma natureza. Os médicos já pensam em programar sua primeira saída do Hospital.
Nossos irmãos que o acompanham nos relatam ainda que o Hospital celebrou o dia de Ação de Graças, dia em que os americanos demonstram sua gratidão a Deus pelos bons acontecimentos ao longo do ano, para integrar os pacientes e os terapeutas, trazendo alegria a todos. Raul também pode usufruir desse ambiente acolhedor. Certamente é um trabalho de atenção e carinho para com os pacientes daquele Hospital, numa verdadeira demonstração de Amor ao Próximo.
Seguimos agradecidos a Deus e a todos pelas vibrações de saúde e paz que envolvem o nosso querido Raul, nesta hora de boas lutas

Diretoria da Sociedade Espírita Fraternidade.

24/11/2011

MUNDOS TRANSITÓRIOS

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Existem mundos que servem de estações ou de lugares de repouso aos Espíritos errantes, particularmente destinados aos seres errantes, mundos que eles podem habitar temporariamente, espécies de acampamentos, lugares onde possam repousar de erraticidades muito longas, que de alguma maneira são sempre penosas. Esses mundos ocupam posição intermediária entre outros mundos, graduadas, conforme a natureza dos Espíritos que os procuram para gozar de maior ou menos bem-estar

Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los à vontade, para seguir o seu destino. Podemos figurá-los como aves de arribação descendo numa ilha para recuperarem suas forças e, depois, seguirem avante.

Os Espíritos progridem durante essas estações nos mundos transitórios, pois os que assim se reúnem têm o fito de se instruírem para mais facilmente obterem a permissão de irem a lugares melhores até alcançarem à posição dos eleitos.

Por sua natureza especial os mundos transitórios (1) não são perpetuamente destinados aos Espíritos errantes, sua posição é apenas temporária.

Apesar de terem uma constituição análoga à de outros planetas têm uma superfície estéril e não são ao mesmo tempo habitados por seres corpóreos. Os que habitam esses mundos de nada precisam. (2)

A Natureza desses mundos se traduz pelas belezas da imensidade, não menos admiráveis daquilo que chamamos belezas naturais na Terra.

A Terra na época de sua formação esteve na condição desses mundos.

Nada existe de inútil na Natureza: cada coisa tem a sua finalidade, a sua destinação; nada é vazio, tudo é habitado, a vida se expande por toda parte (3). Assim durante a longa série de séculos que se escoou antes da aparição do homem sobre a Terra durante os lentos períodos de transição atestados pelas camadas geológicas, antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos, sobre essa massa informe, nesse árido caos em que os elementos se confundiam não havia ausência de vida. Seres que não tinham as nossas necessidades, nem as nossas sensações físicas, ali encontravam refúgio. Deus quis que, mesmo nesse estado imperfeito, ela servisse para alguma coisa. Quem, pois, ousaria dizer que entre os bilhões de mundos que circulam na imensidade apenas um, e um dos menores, perdido na multidão, teve o privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria a utilidade dos outros? Deus os teria feito só para recrear os nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que brilha em todas as suas obras, inadmissível quando se pensa em todas as que não podemos perceber. Ninguém poderá negar que há, nesta idéia dos mundos ainda impróprios para a vida material, e entretanto povoados de seres apropriados ao seu estado, alguma coisa de grande e sublime, onde talvez se encontre a solução de muitos problemas.

(1) Podemos deduzir que a natureza desses mundos transitórios, são materiais, conforme a resposta dadas pelos Espíritos as questões 236 e 236a onde afirmam que a Terra na época de sua formação esteve na condição desses mundos. Nesses mundos em formação, podem repousar de erraticidades muito longas, se reunirem com a finalidade de se instruírem para obterem as condições necessárias e irem à lugares, como por exemplo a Terra, a fim de se provarem ou expiarem erros passados, com o objetivo de se tornarem melhores até alcançarem à posição dos eleitos.

(2) Santo Agostinho in Revista Espírita, maio de 1859, Mundos Intermediários ou Transitórios.

(3) No Universo, tudo serve, tudo se encadeia por liames que ainda não conseguimos perceber na sua amplidão, mas na Natureza, tudo se harmoniza através de leis gerais e, nessa admirável harmonia que se faz através da solidariedade dos seres que habitam todos os reinos da natureza, eles progridem, se aperfeiçoam, se depuram, concorrendo dessa forma para o cumprimento dos desígnios da Providência. No Universo a vida é uma ocupação contínua. No momento em que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entra no período de humanidade, a luz, para ele, se mostrará cada vez mais ampla, e ele passará a perceber cada vez melhor que todos devem percorrer os diferentes graus da escala de cada reino ou classe espírita para se aperfeiçoarem e, que ele, qualquer que seja o seu grau de adiantamento, sua situação, estará sempre colocado entre um superior que o guia e aperfeiçoa e um inferior perante o qual terá deveres iguais a cumprir, cujo objetivo natural, é fazer tudo tender na direção da Unidade (Perfeição), conforme se pode observar nas respostas dos Espíritos às questões 540, 558, 561, 566, 573, 604, 607a, 611 e 888a de LE.

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Fontes:

Allan Kardec – O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, qq. de 234 à 236 e 540, 558, 561, 566, 573, 604, 607a, 611 e 888a.

Allan Kardec – Revista Espírita, maio de 1859, Mundos Intermediários ou Transitórios.

23/11/2011

ALCOOLISMO E OBSESSÃO

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O alcoolismo é um dos maiores inimigos da criatura humana. É de lamentar-se que o seu uso seja tão generalizado e, infelizmente, haja adquirido status na sociedade. As reuniões, as celebrações e festividades outras, sempre se fazem acompanhar de bebidas alcoólicas, responsáveis por incontáveis danos ao organismo humano, à sociedade. Acidentes terríveis, agressões absurdas, atitudes ignóbeis decorrem do seu uso, além dos vários prejuízos orgânicos, emocionais e mentais que acarretam.
Verdadeiras legiões de vítimas se movimentam pelas avenidas do mundo, como enxameiam nos campos, permanecem nos tugúrios da miséria ou nas celas sombrias dos cárceres e dos hospitais, apresentando o triste espectáculo da decadência humana. Milhões de lares sofrem os infelizes lances da sua crueldade.
No inquietante momento em que o uso das drogas é responsabilizado pela vigência de inumeráveis crimes hediondos, e se levantam muitas vozes em protesto, buscando encontrar as causas sociológicas, psicológicas e outras, para explicar a avalanche sempre crescente e assustadora de viciados, urge que se estudem também os problemas do alcoolismo e suas consequências, não menos alarmantes.
O alcoolismo, ou a dependência do uso exagerado de bebidas alcoólicas, constitui-se um grave problema médico, em face dos danos que causa ao organismo do indivíduo e ao grupo social no qual este se movimenta. A sua gravidade pode ser considerada pelo número dos internados em hospitais psiquiátricos com desequilíbrios expressivos. As recidivas, após o cuidadoso tratamento, são numerosas, não se considerando que as suas vítimas ultrapassam em grande número as outras toxicomanias.
Na antiguidade, o uso de bebidas alcoólicas tornou-se comum e quase elegante, caracterizando uma forma ou de fuga ante os desafios. Acreditava-se, no passado, que o álcool e seus derivados diminuíam as angústias e tensões, posteriormente se afirmando ou se justificando possuírem propriedades fisiológicas, produzindo estímulo e vigor orgânicos.
O alcoolismo decorre de muitos factores, entre os quais a personalidade e a tolerância do organismo do paciente, variando com a idade, o sexo, hereditariedade, hábitos e costumes, constituição e disposição orgânica.
Pode ser resultado de causas ocasionais, secundárias, psicopáticas e conflituosidade neurótica.
Experiências ocasionais, uso após problemas de natureza orgânica e mental – como na epilepsia, na arteriosclerose cerebral -, compulsão pela hereditariedade e o condicionamento após o hábito, resultando na conflituosidade neurótica.
No começo, o indivíduo pode experimentar euforia, dinamismo motor, porém vai perdendo o controle, o senso crítico, tornando-se inconveniente. Com o tempo, surgem outros distúrbios orgânicos, tais as náuseas, os vómitos, a incontinência urinária e, por fim, o sono comatoso, no estado mais avançado.
À medida que a dependência aumenta e o uso se faz mais frequente, a bebida alcoólica afecta o sistema nervoso, o trato digestivo, o aparelho cardiovascular. As complicações que degeneram em gastrite e cirrose hepática são inevitáveis, levando à morte, qual sucede no câncer do esófago e do estômago. Do ponto de vista psíquico, o alcoólatra muda completamente o comportamento, e suas reacções mentais são alteradas, a começar pelos prejuízos de memória, a culminar no delirium tremens, sem retorno ao equilíbrio…
O alcoolismo (alcoolofilia) é, portanto, uma enfermidade que exige cuidadoso tratamento psiquiátrico. No entanto, porque ao desencarnar o alcoólatra não morre, permanecendo vitimado pelos vícios, quase sempre busca sintonia com personalidades frágeis ou temperamentos rudes, violentos, na Terra, deles se utilizando em processo obsessivo para dar prosseguimento ao infame consumo de álcool, agora aspirando-lhe os vapores e beneficiando-se da ingestão realizada pelo seu parceiro-vítima, que mais rapidamente se exaure. Torna-se uma obsessão muito difícil de ser atendida convenientemente, considerando-se a perfeita identificação de interesses e prazeres entre o hóspede e o seu anfitrião.
Manoel Philomeno de Miranda
(Médico; Escritor; Conferencista. – Brasil: 1876-1942)
Fonte: Trilhas da Libertação
Médium: Divaldo P. Franco