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28/04/2010

EVANGELIZEMOS NOSSAS CRIANCAS

Jesus e as criancas

 "Deixai vir a mim os pequeninos não os impeçais, pois deles é o reino dos céus". - Jesus. (Mateus, 19:14.)

Não induzo meu filho a seguir qualquer religião, quando ele crescer ele mesmo escolhe a doutrina que quer seguir, dizia-me sempre, um determinado amigo.

É prática comum em algumas famílias, inclusive espíritas, esperar que os filhos cresçam, para que definam por si próprios a religião que desejam seguir. Alegam estas, que não tem o direito de interferir na liberdade de escolha dos filhos, que religião é objeto de escolha pessoal e de gosto diversificado, e que o indivíduo tem na idade adulta, maiores condições de definir o que melhor lhe apraz nesse aspecto.

O resultado desse pensamento reflete-se na maioria das vezes, no dia-a-dia de nossa sociedade, onde uma boa parte dos jovens desligados de qualquer sentimento de religiosidade, tem a cabeça voltada apenas para o que eles chamam de "agitos", onde a tônica é dada pelos tóxicos, álcool, sexo e violência como uma forma de auto-afirmação e porque não dizer, de preenchimento do vazio causado por essa falta de religiosidade; sem contar na contribuição funesta, que o jovem tem dado para o aumento das estatísticas de suicídios, onde atualmente ele lidera os índices.

O desconhecimento de valores espirituais aliado a despreocupação dos pais com este fator contribuem de forma contundente para o agravamento deste quadro, resultando muitas vezes, em complicados processos obsessivos e até reencarnatórios, devido a falência das partes envolvidas no contexto.

Buscar o conhecimento dos postulados espíritas, observando-se o aspecto família, implica em outras variáveis, que a priori, visa a conscientização dos pais sobre o grau da responsabilidade assumida perante os Espíritos superiores, com relação àquele espírito que aceitaram como filho na presente encarnação.

Vale ressaltar, que essa responsabilidade não se limita apenas à participação no processo reencarnatório, que basicamente divide-se em duas etapas, que se dão a seguir:

Na parte primeira, dá-se uma sistemática de envolvimento, onde são observados entre outros, os seguintes aspectos: a ficha do reencarnante para que se estabeleça os mapas cármicos, o grau de simpatia ou animosidade com relação aos genitores, a composição de mapas genéticos, o desenvolvimento de reuniões entre as partes no plano espiritual, enfim, todas as medidas que podemos pensar e que não podemos, são tomadas pelos técnicos reencarnacionistas, para que se cumpra o proposto nas Leis Divinas.

A parte segunda seria a condução desse Espírito, já encarnado, pelas mais diversas problemática da vida, seja no campo social, familiar, religioso, proporcionando-lhe meios para que desenvolva em si os aspectos, cognitivo, afetivo, intelectivo, moral, etc...

É tábula rasa para nós espíritas que a primeira infância, que é o período compreendido entre zero aos sete anos, é sem dúvida nenhuma a época em que a criança está mais sensível às sugestões dos pais, é nessa fase que devem ser ministrados através de muito amor e carinho, os conceitos de valores morais e cristãos.

Neste sentido, a evangelização espírita-infantil é de fundamental importância no processo de formação da criança, pois os vícios de personalidade se encontram adormecidos, constrangidos pelo envoltório infantil. O Espírito neste momento é comparado ao terreno fértil da parábola do semeador, as sementes que ali semearmos, germinarão fortes e viçosas, contribuindo de forma preponderante na formação moral do futuro adulto.

Não podemos esquecer que a tarefa da semeadura começa cedo, aos quatro anos a criança já pode ser encaminhada às aulas de evangelização, que parte da seguinte seqüência: inicia-se pelo maternal, dos quatro aos cinco anos, depois o jardim, dos seis aos sete anos, primeiro ao terceiro ciclo da infância que vai dos oito aos treze anos , pré juventude, primeiro e segundo ciclo da juventude, dos catorze aos vinte um anos, e finalmente, depois de uma longa caminhada, por todos esses ciclos, o jovem está pronto para o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.

Ainda a cerca da reencarnação, nos esclarece o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no livro Temas da vida e da Morte, 1ª edição da FEB, página 19 que, "apesar da reencarnação se completar aos sete anos ela ainda vai se fixando lentamente até o momento da transformação da glândula pineal, na sua condição de veladora do sexo".

A esse respeito, André Luiz, no livro Missionários da Luz, 22ª edição da FEB, cap. 2º, nos dá a seguinte informação: "Enquanto no período de desenvolvimento infantil, fase de reajustamento desse centro importante do corpo perispiritual preexistente, a epífise parece constituir freio às manifestações do sexo; entretanto, há que retificar observações.

Aos catorze anos, aproximadamente, de posição estacionária, quanto às suas atribuições essenciais, recomeça a funcionar no homem reencarnado. O que representava controle é fonte criadora e válvula de escapamento. A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos ".

Diante desse quadro, podemos afirmar que em qualquer família, a fase da puberdade é com certeza uma das mais difíceis para os pais. É nesse momento que o espírito vai começando a reencontrar a sua verdadeira personalidade, iniciando-se com o chamado conflito da adolescência, que pode ser atenuado ou mesmo evitado, com uma bem estruturada educação religiosa na infância.

Deixai vir a mim os pequeninos não os impeçais pois deles é o reino dos céus, disse o Cristo aos apóstolos, que tentavam barrar a passagem de crianças até Ele. O pedido de Jesus, reverbera em nossas consciências, e entendemos que o Mestre pede que não lhes cerceemos os ensinamentos, achando que não os são necessários ainda, que deixemos que eles conheçam o Cristo, logo na infância, que é fase mais pura, mais humilde, onde os corações espargem inocência, e estão mais abertos aos preceitos cristãs.

Pensar na criança é pensar no adulto, portanto, é de vital importância que a Casa Espírita tenha essa preocupação com as crianças e com os jovens, no sentido de promover a evangelização destes, como propõe o Mestre Jesus. A FEB tem demonstrado essa preocupação, participando e promovendo cursos nessa área, é importantíssimo que as Federativas Estaduais também promovam e desenvolvam em suas regiões, programas e cursos nesse intento, não só como meio de suprir a carência de evangelizadores que é muita, como também de conscientizar os dirigentes das Casas Espíritas da importância desse trabalho, e este com certeza não um desejo apenas nosso, mas principalmente do Cristo.                                                       Warwick Mota

(Publicado na revista Reformador de junho de 1996)

25/04/2010

ESPIRITISMO E FILOSOFIA

filosofia

O nome filosofia vem do grego e significa “amor à sabedoria”. A Filosofia, segundo o novo Dicionário Aurélio, “é um estudo que se caracteriza pela intenção de ampliar incessantemente a compreensão da realidade (...)”.

O filósofo era na antiguidade o representante da busca pelo saber.  E o que ele estudava? No entender dos filósofos: “tudo”. A Filosofia é um estudo que tem por finalidade ampliar o nosso conhecimento da realidade, e tem por objeto de estudo o homem e o universo. A diferença entre a Filosofia e a Ciência é que enquanto a Ciência busca conhecer muito sobre um tema específico, a Filosofia avalia toda uma vastidão de conhecimentos para encontrar uma síntese desses fenômenos. A Filosofia pode também ser diferenciada pelo instrumento de pesquisa, pelo método e pela finalidade.

Enquanto a Ciência utiliza-se dos mais variados instrumentos, como, telescópios, microscópios, computadores, etc. A Filosofia utiliza basicamente a razão, o raciocínio puro, como instrumento de pesquisa da verdade.

O método em sua essência se utiliza da indução e da dedução. O primeiro, através dos fatos, descobre os princípios primeiros; o segundo ilumina os fatos com os princípios primeiros, para compreendê-los melhor.

A Filosofia não está voltada para fins práticos como a Ciência. Ela tem como único objetivo o conhecimento e por extensão, a verdade em si mesma.

Apesar de todas as coisas serem suscetíveis de pesquisa filosófica, alguns problemas são de preferência, estudadas pela Filosofia: a Lógica (se ocupa do problema da exatidão do raciocínio); a Epistemologia (o valor do conhecimento); a Metafísica (do fundamento último das coisas em geral); a Ética (a origem e natureza da lei moral, da virtude e da felicidade); A Teologia (da existência e natureza de Deus e das relações com os homens); a Estética (do problema do belo e da natureza e função da arte); e a Axiologia (o problema dos valores); Cosmologia (a constituição essencial das coisas materiais, da sua origem e de seu devir).

As teses fundamentais que integram a Doutrina Espírita encontram-se no “O Livro dos Espíritos”, as quais podem ser identificadas com as principais categorias filosóficas.

A Filosofia Espírita apesar de se encaixar dentro dessas categorias, não é propriamente um saber clássico. Em muitas de suas facetas ela é um assunto novo e vibrante. Primeiramente, o Espiritismo aborda um Universo dual, com um componente material e outro espiritual. Com isto se abre diante de nós toda uma gama de possibilidades de estudo. Neste Universo espiritual habitam espíritos, que são criados simples e puros, para evoluírem e aprenderem com seus próprios erros e experiências, trilhando um longo caminho até compreender a relação entre Deus e o Homem, alcançando uma harmonia entre o conhecimento, a moral e a inteligência. O espírito e o espiritual, certamente não fazem parte desta filosofia tradicional, por isso podemos falar de uma nova filosofia que se nos mostra: “a Filosofia Espírita”, possuidora de uma cosmologia, uma metafísica e uma ética próprias, apesar de baseada na ética cristã.

Para Jon Aizpúrua (2000) o Espiritismo é:

  • Uma filosofia deísta, porque reconhece a existência de Deus como força inteligente e causa primária de todas as coisas;
  • Uma filosofia espiritualista, porque afirma a existência do espírito como princípio independente da matéria, assim como sua sobrevivência após a morte;
  • Uma filosofia evolucionista, porque admite que a evolução é a lei que rege o Universo, presidindo todas as transformações, tanto de ordem física como de ordem espiritual;
  • Uma filosofia científica, uma filosofia racionalista e humanista, porque coloca o ser humano e as suas necessidades no centro de suas atenções.

Devemos nos lembrar que a Filosofia Espírita não é um alimento somente para o intelecto, mas também para a alma que sente e sofre, que presencia a alegria mas às vezes sucumbe à tristeza. Lembremos o que disse Kardec (1995, p.483):

“Mesmo os que nenhum fenômeno têm testemunhado, dizem: à parte esses fenômenos, há a filosofia, que me explica o que NENHUMA OUTRA me havia explicado. Nela encontro, por meio unicamente do raciocínio, uma solução racional para os problemas que no mais alto grau interessam ao meu futuro. Ela me dá calma, firmeza, confiança; livra-me do tormento da incerteza. Ao lado de tudo isto, secundária se torna a questão dos fatos materiai

Jorge Cordeiro

Bibliografia:

Aizpúra, Jon (2000). Os fundamentos do espiritismo. São Paulo, CEJB.                                                                                  Ferreira, Aurélio (1999). Novo Aurélio – século XXI. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira.                                                         Kardec, Allan (1995). O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, FEB.                                                                                     Mondin, B. (1987). Introdução à Filosofia. São Paulo, Edições Paulinas.

23/04/2010

PRECE DE GRATIDAO

Senhor Jesus, muito obrigada!
Pelo ar que nos dá,
pelo pão que nos deste,
pela roupa que nos veste,
pela alegria que possuímos,
por tudo de que nos nutrimos.
Muito obrigada, pela beleza da paisagem,
pelas aves que voam no céu de anil,
pelas Tuas dádivas mil!
Muito obrigada, Senhor!
Pelos olhos que temos...
olhos que vêem o céu, que vêem a terra e o mar,
que contemplam toda beleza!
Olhos que se iluminam de amor
ante o majestoso festival de cor
da generosa Natureza!
E os que perderam a visão ?
Deixa-me rogar por eles
Ao Teu nobre Coração!
Eu sei que depois desta vida,
além da morte,
voltarão a ver com alegria incontida...
Muito obrigada pelos ouvidos meus,
pelos ouvidos que me foram dados por Deus.
Obrigado, Senhor, porque posso escutar
o Teu nome sublime, e, assim, posso amar.
Obrigada pelos ouvidos que registram:
a sinfonia da vida,
no trabalho, na dor, na lida...
o gemido e o canto do vento nos galhos do olmeiro,
as lágrimas doridas do mundo inteiro
e a voz longínqua do cancioneiro...
E os que perderam a faculdade de escutar ?
Deixa-me por eles rogar...
Eu sei que no Teu Reino voltarão a sonhar.
Obrigada, Senhor, pela minha voz.
Mas também pela voz que ama,
pela voz que canta,
pela voz que ajuda,
pela voz que socorre,
pela voz que ensina,
pela voz que ilumina...
E pela voz que fala de amor,
obrigada, Senhor!
Recordo-me, sofrendo, daqueles
que perderam o dom de falar
e o teu nome sequer podem pronunciar!...
Os que vivem atormentados na afasia
e não podem cantar nem à noite, nem ao dia...
Eu suplico por eles,
Sabendo que mais tarde,
no Teu Reino, voltarão a falar.
Obrigada, Senhor, por estas mãos, que são minhas
alavancas da ação, do progresso, da redenção.
Agradeço pelas mãos que acenam adeuses,
pelas mãos que fazem ternura,
e que socorrem na amargura;
pelas mãos que acarinham,
pelas mãos que elaboram as leis
e pelas que as feridas cicatrizam
retificando as carnes partidas,
a fim de diminuírem as dores de muitas vidas!
Pelas mãos que trabalham o solo,
que amparam o sofrimento e estancam lágrimas,
pelas mãos que ajudam os que sofrem,
os que padecem...
Pelas mãos que brilham nestes traços,
como estrelas sublimes fulgindo nos meus braços!
...E pelos pés que me levam a marchar,
ereto, firme a caminhar,
pés da renúncia que seguem
humildes e nobres sem reclamar.
E os que estão amputados, os aleijados,
os feridos e os deformados,
os que estão retidos na expiação
por crimes praticados noutra encarnação.
Eu rogo por eles e posso afirmar
que no Teu Reino, após a lida
desta dolorosa vida,
poderão bailar
e em transportes sublimes com os seus braços
também afagar
Sei que lá tudo é possível
quando Tu queres ofertar,
mesmo o que na Terra parece incrível!
Obrigado, Senhor, pelo meu lar,
o recanto de paz ou escola de amor,
a mansão de glória
ou pequeno quartinho,
o palácio ou tapera, o tugúrio ou a casa de miséria!
Obrigada, Senhor, pelo amor que eu tenho e
pelo lar que é meu...
Mas, se eu sequer
nem um lar tiver
ou teto amigo para me abrigar
nem outra coisa para me confortar,
se eu não possuir nada,
senão as estradas e as estrelas do céu,
como sendo o leito de repouso e o suave lençol,
e ao meu lado ninguém existir: vivendo e
chorando sozinho, ao léu...
Sem um alguém para me consolar
direi, cantarei, ainda:
Obrigada, Senhor,
porque Te amo e sei que me amas,
porque me deste a vida
jovial, alegre, por Teu amor favorecida...
Obrigada, Senhor, porque nasci,
Obrigada, porque Creio em Ti.
...E porque me socorres com amor,
Hoje e sempre,
Obrigada, Senhor!

Amélia Rodrigues
Psicografado por Divaldo Pereira Franco

Tenha um lindo dia!

20/04/2010

VINTE SERVICOS QUE O ESPIRITISMO FAZ POR VOCÊ

3revelacoes 

01 Integra você no conhecimento de sua posição e criatura eterna e responsável, diante da vida.
02 Expõe o sentido real das lições do Cristo e de todos os outros mentores espirituais da Humanidade, nas diversas regiões do Planeta.
03 Suprime-lhe as preocupações originárias do medo da morte provando que ela não existe.
04 Revela-lhe o princípio da reencarnação, determinando o porquê da dor e das aparentes desigualdades sociais.
05 Confere-lhe forças para suportar as maiores vicissitudes do corpo, mostrando a você que no instrumento físico nos reflete as condições ou necessidades do espírito.
06 Tranqüiliza você com respeito aos desajustes da parentela, esclarecendo que o lar recebe não somente os afetos, mas também os desafetos de existências passadas, para a necessária regeneração.
07 Demonstra-lhe que o seu principal templo para o culto da Presença Divina é a consciência.
08 Liberta-lhe a mente de todos os tabus em matéria de crença religiosa.
09 Elimina a maior parte das suas preocupações acerca do futuro além da morte.
10 Dá-lhe o conforto do intercâmbio com os entes queridos, depois de desencarnados.
11 Entrega-lhe o conhecimento da mediunidade.
12 Traça-lhe providências para o combate ou para a cura da obsessão.
13 Concede-lhe o direito à fé raciocinada.
14 Destaca-lhe o imperativo da caridade por dever.
15 Auxilia você a revisar e revalorizar os conceitos de trabalho e tempo.
16 Concede-lhe a certeza natural de que, se beneficiamos ou prejudicamos alguém, estamos beneficiando ou prejudicando a nós próprios.
17 Garante-lhe serenidade e paz diante da calúnia ou da crítica.
18 Ensina você a considerar adversários por instrutores.
19 Explica-lhe que, por maiores sejam as suas dificuldades exteriores, intimamente você é livre para melhorar ou agravar a própria situação.
20 Patenteia-lhe que a fé ilumina o caminho, mas ninguém fugirá da lei que manda atribuir a cada qual segundo as obras pessoais.
Essas são vinte das muitas bênçãos que o Espiritismo realiza em nosso favor. Será curioso que cada de nós pergunte a si mesmo o que estamos nós a fazer por ele.

Autor: André Luiz
Psicografia de Waldo Vieira, em 22-10-65, em Uberaba, Minas Gerais

18/04/2010

LIVRO DOS ESPÍRITOS, 153 ANOS

O Livro dos Espíritos completa, hoje, 153 anos. A obra, que no original é “Le Livre des Esprits”, é o primeiro registro sobre a doutrina espírita publicado pelo educador e protestante francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), mais conhecido no mundo pelo pseudônimo de Allan Kardec.

Um dos livros mais vendidos, com 30 milhões de exemplares, e foi lançado por Kardec após seus estudos sobre os fenômenos que, segundo muitos pesquisadores contemporâneos, possuíam origem mediúnica, e estavam difundidos pelo Velho Continente no decorrer do século XIX. O trabalho foi organizado em cerca de 20 meses.

A edição apresenta-se na forma de indagações, isto é, perguntas e respostas dirigidas, ao que Kardec afirmava serem dos espíritos, totalizando 1.019 tópicos. Em outras palavras mais precisas: uma Introdução (de Allan Kardec) e 1018 perguntas formuladas aos Espíritos, com as respectivas respostas.

O livro foi publicado, pela primeira vez, em 18 de abril de 1857. Os primeiros exemplares sairiam da Tipografia de Beau, em Saint-Germain-en-Laye, cidade vizinha a Paris. Foi a primeira obra de uma série de cinco editadas pelo pedagogo sobre o mesmo tema: respectivamente, “O Livro dos Espíritos” (1857) “O Livro dos Médiuns” (1859), “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1863), “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868).

Estruturalmente, a primeira edição do “Livro dos Espíritos” tinha 176 páginas e foi feita em formato grande, com os textos distribuídos em duas colunas. A publicação era composta por 501 perguntas e suas respectivas respostas, divididas em três partes: “Doutrina Espírita”, “Leis Morais” e “Esperanças e Consolações”.

Rapidamente, o livro se tornou popular, inicialmente, na França, país de origem. Em seguida, como um rastilho de pólvora, espalhou-se por toda a Europa. As médiuns que serviram a esse trabalho foram inicialmente Caroline e Julie Boudin (respectivamente, 16 e 14 anos à época), às quais mais tarde se juntou Celine Japhet (18 anos à época) no processo de revisão do livro.

Após o primeiro esboço, o método das perguntas e respostas foi submetido a comparação com as comunicações obtidas por outros médiuns franceses, totalizando em “mais de dez”, nas palavras de Kardec, o número de médiuns cujos textos psicografados contribuíram para a estruturação de O Livro dos Espíritos, publicado em 18 de Abril de 1857, na capital francesa, contendo 550 itens.
Os Fenômenos Mediúnicos
Os fenômenos mediúnicos serviam como passatempo nos salões de Paris, que começava a ganhar ares cosmopolitas. A partir de 1850, a cidade passou por uma grande reforma. Ruelas medievais e casebres deram lugar a avenidas largas e bulevares que convergiam no Arco do Triunfo, símbolo da força da modernidade e da nova burguesia francesa. Com novos parques, a cidade se preparava para virar o século como a Cidade das Luzes. Era tempo de revolução industrial e descobertas científicas, que tornavam o homem capaz de explicar e interferir nos fenômenos ao seu redor. Ou em quase todos.

Porque no meio de toda essa modernidade, as mesas girantes eram uma febre que assolava a Paris de 1850. Os sensitivos alegavam que espíritos se manifestavam com o mundo dos vivos. Eram comuns as reuniões em salões culturais ou mansões de senhoras da sociedade, nos quais as pessoas iam para girar mesas apenas com o poder da concentração. Nas reuniões, havia poetas, intelectuais e nobres. O poeta Victor Hugo era freqüentador assíduo das reuniões e chegou a escrever que “negar a atenção a que tem direito o espiritismo é desviar a atenção da verdade”. Numa noite de maio de 1855, a reunião das mesas girantes aconteceu na casa de uma senhora chamada Plainemaison. Uma das pessoas que compareceu à reunião foi Hippolyte Léon Denizard Rivail, o professor de ciências de 50 anos, que mais tarde viria a adotar o nome “Allan Kardec”. Segundo ele, as mesas não só giravam como batiam no chão e se moviam “em condições que não deixam margem a qualquer dúvida”. A reunião na casa da sra. Plainemaison, realmente, o deixou aturdido e impressionado.
As Sessões
Nas visitas às reuniões, o mais estarrecedor era que as mesas pareciam não só rodar como também falar. Isso mesmo: pareciam indicar letras com pancadas no chão e, quando interrogadas, moviam-se para a direita ou esquerda, tentando comunicar “sim” ou “não”. Em abril de 1856, 11 meses depois da primeira das visitas, a mensagem da mesa perturbou ainda mais aquele professor de ciências. Um espírito teria escolhido Rivail para reunir e publicar os ensinamentos que ele obtinha nas mesas. Rivail não acreditou e pediu que o espírito repetisse a mensagem. “Confirmo o que foi dito, mas recomendo discrição, se quiser se sair bem. Tomará mais tarde conhecimento de coisas que agora o surpreendem”, foi a mensagem que ele recebeu como resposta.

Assim o trabalho começou. Todas as terças-feiras, Rivail freqüentava a casa da senhora Boudin. Julie, a moça de 14 anos, e sua irmã Caroline, de 16, psicografaram quase todas as questões do Livro dos Espíritos. Como a identidade das duas foi mantida em segredo por muitos anos, sabe-se pouco sobre elas. O que se sabe é que Julie era uma médium passiva, inconsciente do que escrevia. Somente achava divertido as pessoas lhe darem tanta importância. As reuniões, dirigidas pelos pais delas, não eram secretas, mas restritas a poucos convidados. Para escrever as mensagens, Julie e Caroline usavam uma cesta-de-bico, feita de vime, com 15 a 20 centímetros de diâmetro e uma espécie de bico com um lápis na ponta. “Pondo o médium os dedos na borda da cesta, o aparelho todo se agita e o lápis começa a escrever”, contou Kardec em O Livro dos Médiuns. Com o tempo, as garotas passaram a usar a psicografia direta, mesmo método usado mais tarde pelo brasileiro Chico Xavier.

As respostas que Caroline e Julie psicografavam eram revistas, analisadas e muitas vezes comparadas a outras mensagens. Kardec afirmava que muitas mensagens de entidades eram ignoradas, ou por terem gracejos ofensivos ou por não fazerem sentido. Também por esse motivo, quanto mais médiuns participassem da composição do livro, melhor.

Quando Rivail acabou de editar as perguntas, surgiu um problema: qual seria o título e quem deveria assinar a obra? Como não se considerava autor, e sim um organizador, deu o nome óbvio: O Livro dos Espíritos. Mas alguém precisava assiná-lo. “Rivail consultou os espíritos e uma entidade deu a ele o nome de Allan Kardec, porque esse tinha sido o nome que ele teve numa vida passada, como um sacerdote druida.” Assim surgiu o nome do pai do espiritismo.

O livro rapidamente correu o mundo e criou polêmica, provocando protestos de padres e cientistas céticos, mas atraindo a atenção de outros médiuns, que entraram em contato com Kardec. O pai do espiritismo viu que seu trabalho ainda não estava terminado. Eram tantas novas revelações que ele decidiu revisar mais uma vez e estender o livro. A 2ª edição, definitiva, contém 1 019 perguntas.

Recapitulando:

O Livro dos Espíritos é o primeiro da série de cinco livros básicas da Codificação do Espiritismo (Pentateuco Kardequiano), ao lado de O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e A Gênese.

O Livro dos Espíritos consta de uma Introdução (da lavra de Allan Kardec) e 1018 perguntas formuladas aos Espíritos, com as respectivas respostas. Ao final, temos a Conclusão, consistente de nove tópicos bastante desenvolvidos, de autoria do espírito que se autodenomina Santo Agostinho.

Após a vulgarização dos fenômenos de "mesas girantes" através de toda a Europa, por volta de 1854, Kardec foi convidado por amigos a presenciar o fenômeno, quando as "mesas" começaram a "responder a perguntas". Foi, então, o início da missão de Kardec como codificador. Indagado sobre a sua identidade, o "ser" inteligente que manipulava as mesas denominou-se como sendo "espíritos de luz", dizendo que era chegada a hora de fazer novas revelações à humanidade sofrida, dando continuidade aos ensinamentos de Jesus. E assim o fenômeno das mesas girantes deixou de ser brincadeira, e passou a ser levado muito a sério. As mesas foram substituídas por pranchetas e lápis, e a tiptologia deu lugar à nascente psicografia.

Tiptologia é um tipo de comunicação que utiliza um certo número de batidas, em correspondência às letras do alfabeto, mais ou menos como no código Morse. Psicografia é a escrita ditada por um espírito através de um médium. Difere da inspiração, porque nesta o médium está plenamente consciente e é co-autor do texto, enquanto a escrita psicografada é mais ou menos mecânica, às vezes abordando temas completamente desconhecidos do médium ou completamente acima do seu nível de escolaridade, ou, até mesmo, em idiomas desconhecidos do médium.

As respostas em O Livro dos Espíritos, sempre muito inteligentes, objetivas e intelectualizadas, abrangem temas os mais variados e ligados a questões transcendentais até então não satisfatoriamente respondidas.

» Primeira Parte: Deus; os Elementos Gerais do Universo; a Criação Divina; o Princípio Vital (temas posteriormente mais desenvolvidos em A Gênese).

» Segunda Parte: Dos Espíritos, sua origem, hierarquia, progressão, anjos e demônios; Da reencarnação dos Espíritos e da volta dos Espíritos à vida corporal, pluralidade das existências, vidas sucessivas, pluralidade dos mundos; Intervenção dos Espíritos no nosso mundo material e em nosso dia-a-dia; Bênçãos e Maldições; Ocupações e Missões dos Espíritos; Reinos Mineral, Vegetal e Animal; Metempsicose.

» Terceira Parte: Das Leis Morais; Da Lei Divina ou Natural; Da Lei de Adoração; Da Lei do Trabalho; Da Lei de Reprodução (celibato, poligamia, etc); Da Lei de Conservação: o Necessário e o Supérfluo, Privações Voluntárias e Mortificações (questionamento de sua validade); Da Lei de Destruição: Destruição Necessária e Destruição Abusiva, suas causas e conseqüências, Guerras, Flagelos Naturais, Crueldade, Duelo, Pena de Morte; Da Lei de Sociedade; Laços de Família, Vida de Insulamento; Da Lei do Progresso: Povos Degenerados, Influência do Espiritismo no Progresso da Humanidade; Da Lei de Igualdade: Igualdade Natural, Desigualdade de Aptidões, Desigualdade de Riquezas, Igualdade entre Homem e Mulher, Igualdade perante o Túmulo, Da Lei de Liberdade: Escravidão, Liberdade de Consciência, Livre-arbítrio, Fatalidade, Conhecimento do Futuro; Da Lei de Justiça, Amor e Caridade: Direito de Propriedade, Roubo, Caridade e Amor ao Próximo, Amor Materno e Filial; Da Perfeição Moral: As virtudes e os Vícios, Paixões e Apegos, o Egoísmo, Caracteres do Homem de Bem, o Conhecimento de Si Mesmo.

» Quarta Parte: Das Esperanças e Consolações: Penas e Gozos Terrenos, Penas e Gozos Futuros, Felicidade e Infelicidade Relativas, Perda dos Entes Queridos, Decepções, Ingratidões, Afeições Destruídas, Uniões Antipáticas, Temor da Morte, Desgosto na Vida, Suicídio, O Nada, a Vida Futura, Expiação e Arrependimento, Misericórdia e Justiça Divina nas Penas e Recompensas, Duração das Penas Futuras, Ressurreição da Carne, Paraíso, Inferno e Purgatório.

É, portanto, um livro de interesse para todas as pessoas de todas as religiões, pois contém uma abordagem científica de temas existenciais, dos mais simples aos mais complexos.

QUADRO RESUMIDO

O Livro dos Espíritos

NOME ORIGINAL_Le Livre des Esprits (França, 1857)AUTOR_ Hyppolyte Rivail (Allan Kardec)               EDIÇÃO NO BRASIL_ Pensamento; 1994          ÁREA_Religião

DO QUE TRATA:

O livro representa o marco inicial do espiritismo como doutrina religiosa e surgiu a partir da observação de fenômenos com mesas giratórias, na França. Essas experiências eram realizadas por médiuns em torno de uma mesa para estabelecer contato com supostos espíritos de pessoas mortas. O livro traz basicamente as perguntas feitas aos espíritos, assim como as respostas que teriam sido concedidas por eles, em mesas comandadas por 2 jovens médiuns. Os textos escritos por Rivail tratam de assuntos como reencarnação, Deus e a relação entre homem e Universo.

QUEM ESCREVEU:

Hyppolyte Leon Denizard Rivail nasceu em Lyon, França, em 1804, e dedicou grande parte de sua vida ao estudo de ciências e de filosofia. Somente após publicar O Livro dos Espíritos passou a adotar o codinome Allan Kardec, que teria sido uma de suas reencarnações passadas.

POR QUE MUDOU A HUMANIDADE:

É por meio de O Livro dos Espíritos que o espiritismo finalmente passa a ser levado a sério como crença religiosa, apresentando-se como uma alternativa para cristãos e estabelecendo diferenças em relação às doutrinas da Igreja Católica, como a crença na reencarnação.


Fontes Bibliográficas:

Revista Cristã de Espiritismo - O Livro dos Espíritos completa 151 anos — Por João Cabral, da Associação dos Divulgadores do Espiritismo / Sergipe Revista Superinteressante - Os bastidores do Livro dos Espíritos — Por Artur Fonseca1857, O Livro dos Espíritos — Revista Superinteressante, Edição 216A, Agosto de 2005 O Livro Dos Espíritos (Allan Kardec e os Espíritos) — Editora: Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro - RJ

17/04/2010

A INGRATIDAO DOS FILHOS E OS LACOS DE FAMÍLIA

 pai solitário

A ingratidão é um dos frutos mais diretos do egoísmo. Revolta sempre os corações honestos. Mas, a dos filhos para com os pais apresenta caráter ainda mais odioso. É, em particular, desse ponto de vista que a vamos considerar, para lhe analisar as causas e os efeitos. Também nesse caso, como em todos os outros, o Espiritismo projeta luz sobre um dos grandes problemas do coração humano.
Quando deixa a Terra, o Espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje receber a luz. Muitos, portanto, se vão cheios de ódios violentos e de insaciados desejos de vingança; a alguns dentre eles, porém, mais adiantados do que os outros, é dado entrevejam uma partícula da verdade; apreciam então as funestas conseqüências de suas paixões e são induzidos a tomar resoluções boas. Compreendem que, para chegarem a Deus, lima só é a senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento dos ultrajes e das injúrias; não há caridade sem perdão, nem com o coração tomado de ódio.
Então, mediante inaudito esforço, conseguem tais Espíritos observar os a quem eles odiaram na Terra. Ao vê-los, porém, a animosidade se lhes desperta no íntimo; revoltam-se à idéia de perdoar, e, ainda mais, à de abdicarem de si mesmos, sobretudo à de amarem os que lhes destruíram, quiçá, os haveres, a honra, a família. Entretanto, abalado fica o coração desses infelizes. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se predomina a boa resolução, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos que lhes dêem forças, no momento mais decisivo da prova.
Por fim, após anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou, e pede aos Espíritos incumbidos de transmitir as ordens superiores permissão para ir preencher na Terra os destinos daquele corpo que acaba de formar-se. Qual será o seu procedimento na família escolhida? Dependerá da sua maior ou menor persistência nas boas resoluções que tomou. O incessante contacto com seres a quem odiou constitui prova terrível, sob a qual não raro sucumbe, se não tem ainda bastante forte a vontade. Assim, conforme prevaleça ou não a resolução boa, ele será o amigo ou inimigo daqueles entre os quais foi chamado a viver. É como se explicam esses ódios, essas repulsões instintivas que se notam da parte de certas crianças e que parecem injustificáveis. Nada, com efeito, naquela existência há podido provocar semelhante antipatia; para se lhe apreender a causa, necessário se torna volver o olhar ao passado.

(Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9.)

16/04/2010

MENSAGEM MEDIÚNICA

"Todo fato novo merece análise e reflexao à luz do bom senso,confiram!"
Mensagem  psicofonica do espírito Chico Xavier recebida pelo médium Ariston Teles, em reunião
pública relizada no dia 27 de março de 2010, no Monte Alverne, em Brasília.