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30/09/2013

Estudo aponta atividade cerebral diferente de médiuns durante a psicografia

psico

Além do menor funcionamento neurológico, as cartas escritas em situação de transe apresentam textos mais complexos.

Um estudo científico inédito analisou e comprovou o funcionamento cerebral diferente durante o processo de psicografia de médiuns brasileiros. A pesquisa revelou que eles apresentam menor atividade neurológica durante o estado de transe dissociativo (ausência de integração de pensamentos, sensações e experiências à consciência e à memória) junto de um complexo texto psicografado. A pesquisa Neuroimagem Durante o Estado de Transe: Uma Contribuição ao Estudo da Dissociação foi publicada num artigo do periódico científico norte-americano Plos One.

O estudo foi realizado na cidade da Filadélfia, nos Estados Unidos, em 2008, porém, publicado no ano passado. A análise foi feita por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade da Pensilvânia e pela Universidade Thomas Jefferson, ambas nos Estados Unidos.

Foram analisados individualmente e como um todo 10 médiuns saudáveis, em dois momentos: em estado de transe e no estado habitual de consciência, considerando os textos produzidos e a atividade cerebral nos dois momentos. Todos eles tinham experiência com psicografia, entre 15 a 47 anos, não cobravam pelo trabalho e escreviam no mínimo 10 cartas psicografadas por mês.

“O estudo mostrou uma mudança no fluxo sanguíneo cerebral, nos pudemos observar que, durante a psicografia as áreas de planejamento tiveram menos atividade em comparação à escrita fora do transe mediúnico”, explica o doutor em Neurociências e Comportamento Julio Peres, pesquisador do Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Durante o processo da psicografia, os médiuns mais experientes apresentaram níveis mais baixos de atividade nas áreas responsáveis pela produção de fala, atenção, compreensão da linguagem e escrita. Para a análise, foram usados equipamentos de última geração para medir o fluxo sanguíneo cerebral regional correlacionado com a atividade encefálica durante a escrita.

O cientista e médico Andrew Newberg, diretor de pesquisa do Myrna Brind Centro de Medicina Integrativa da Universidade Thomas Jefferson, destaca como importante no resultado do estudo a diminuição da atividade cerebral. Ele se diz animado com os resultados diferentes entre os médiuns com maior e menor experiência. “[O estudo] sugere que há um ‘efeito de treino’ em que o cérebro da pessoa muda ao longo do tempo para participar dessa experiência”, conta.

O texto
A complexidade dos textos foi maior durante o estado de transe do que em estado habitual. “O que chamou a atenção foi a complexidade dos textos escritos. Para gerar um texto mais complexo, é preciso ter mais atividade neural, só que o contrário aconteceu”, revela o líder da pesquisa, Peres.

Os textos, escritos por 25 minutos sem pausa, foram estudados pelo doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Estadual de Campinas Alexandre Caroli Rocha. “Os textos foram avaliados sob seis critérios: pontuação, seleção lexical e ortografia, concordância verbal e nominal e colocação pronominal, desenvolvimento do tema, estruturas frasais e articulação entre as partes e coerência”, explica Caroli. Ele obteve dois resultados: casos em que a pontuação do texto comum de um médium é bem próxima da de sua psicografia e em que a pontuação da psicografia dos médiuns experientes é mais elevada do que a de seu texto comum.

Segundo os autores do artigo, os médiuns com mais experiência disseram estar num transe mais profundo, com nenhuma ou pouca consciência do que escreviam. Já os menos experientes, estavam num estado de transe menos profundo e relataram geralmente escrever frases ditadas por espíritos. Essas diferenças podem estar relacionadas aos diferentes níveis de experiência e também a graus de ansiedade/expectativa, esforço ou eficiência.

Sobre a hipótese de as cartas serem de autoria de espíritos, como afirmam os médiuns, é possível para Peres.“Essa hipótese é plausível porque uma menor atividade cerebral foi encontrada para geração de um conteúdo complexo durante a psicografia”, afirma. Porém, ainda de acordo com o artigo, não está claro se a atividade cerebral menos intensa está relacionada com mais eficiência do cérebro durante a realização da tarefa ou de outros casos, como o transe mediúnico e a comunicação espiritual.

De acordo com Newberg, os exames só mostraram o que acontece no cérebro quando alguém tem uma experiência particular, eles não provam a real causa da experiência. “É possível que, seja um estado produzido pelo cérebro, mas também que o cérebro está tocando em alguma outra esfera com espíritos”, explica. Para Peres, esta é apenas uma mostra inicial, é preciso mais estudos sobre o tema.

http://cmais.com.br

30/07/2013

MENSAGEM AOS JOVENS

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Que Deus abençoe a juventude!
Os jovens são as primeiras luzes do amanhecer do futuro.
... Cuidar de os preservar para os graves compromissos que lhes estão destinados constitui o inadiável desafio da educação.
Criar-se condições apropriadas para o seu desenvolvimento intelecto-moral e espiritual, é o dever da geração moderna, de modo que venham a dispor dos recursos valiosos para o desempenho dos deveres para os quais renasceram.
Os jovens de hoje são, portanto, a sociedade de amanhã, e essa, evidentemente, se apresentará portadora dos tesouros que lhes sejam propiciados desde hoje para a vitória desses nautas do porvir.
Numa sociedade permissiva e utilitarista com esta vigoram os convites para a luxúria, o consumismo, a excentricidade irresponsáveis.
Enquanto as esquinas do prazer multiplicam-se em toda parte, a austeridade moral banaliza-se a soldo das situações e circunstâncias reprocháveis que lhes são oferecidas como objetivos a alcançar.
À medida que a promiscuidade torna-se a palavra de ordem, os corpos jovens ávidos de prazer afogam-se no pântano do gozo para o qual ainda não dispõem das resistências morais e do discernimento emocional.
Os apelos a que se encontram expostos desgastam-nos antes do amadurecimento psicológico para os enfrentamentos, dando lugar, primeiro, à contaminação morbosa para a larga consumpção da existência desperdiçada.
Todo jovem anseia por um lugar ao Sol, a fim de alcançar o que supõe ser a felicidade.
Informados equivocadamente sobre o que é ser feliz, ora por castrações religiosas, familiares, sociológicas, outras vezes, liberados excessivamente, não sabem eleger o comportamento que pode proporcionar a plenitude, derrapando em comportamentos infelizes…
Na fase juvenil o organismo explode de energia que deverá ser canalizada para o estudo, as disciplinas morais, os exercícios de equilíbrio, a fim de que se transforme em vigor capaz de resistir a todas as vicissitudes do processo evolutivo.
Não é fácil manter-se jovem e saudável num grupo social pervertido e sem sentido ou objetivo dignificante…
Não desistam os jovens de reivindicar os seus direitos de cidadania, de clamar pela justiça social, de insistir pelos recursos que lhe são destinados pela Vida.
Direcionando o pensamento para a harmonia, embora os desastres de vário porte que acontecem continuamente, trabalhar pela preservação da paz, do apoio aos fracos e oprimidos, aos esfaimados e enfermos, às crianças e às mulheres, aos idosos e aos párias e excluídos dos círculos da hipocrisia, é um programa desafiador que aguarda a ação vigorosa.
Buscar a autenticidade e o sentido da existência é parte fundamental do seu compromisso de desenvolvimento ético.
A juventude orgânica do ser humano, embora seja a mais longa do reino animal, é de breve curso, porquanto logo se esboçam as características de adulto quando os efeitos já se apresentam.
É verdade que este é o mundo de angústias que as gerações passadas, estruturadas em guerras e privilégios para uns em detrimento de outros, quando o idealismo ancestral cedeu lugar ao niilismo aniquilador e a força do poder predominava, edificaram como os ideais de vida para a Humanidade.
É hora de refazer e de recompor.
O tempo urge no relógio da evolução humana.
Escrevendo a Timóteo, seu discípulo amado, o apóstolo Paulo exortava-o a ser sóbrio em todas as coisas, suportar os sofrimentos, a fazer a obra dum evangelista, a desempenhar bem o teu ministério. (*)
Juventude formosa e sonhadora!
Tudo quanto contemples em forma de corrupção, de degredo, de miséria, é a herança maléfica da insensatez e da crueldade.
Necessário que pares na correria alucinada pelos tóxicos da ilusão e reflexiones, pois que estes são os teus dias de preparação, a fim de que não repitas, mais tarde, tudo quanto agora censuras ou te permites em fuga emocional, evitando o enfrentamento indispensável ao triunfo pessoal.
O alvorecer borda de cores a noite sombria na qual se homiziam o crime e a sordidez.
Faze luz desde agora, não te comprometendo com o mal, não te asfixiando nos vapores que embriagam os sentidos e vilipendiam o ser.
És o amanhecer!
Indispensável clarear todas as sombras com a soberana luz do amor e caminhar com segurança na direção do dia pleno.
Não te permitas corromper pelos astutos triunfadores de um dia. Eles já foram jovens e enfermaram muito cedo, enquanto desfrutas do conhecimento saudável da vida condigna.
Apontando o caminho a um jovem rico que O interrogou como conseguir o Reino dos Céus, Jesus respondeu com firmeza: - Vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos Céus, depois vem e segue-me... iniciando o esforço agora.
Não há outra alternativa a seguir.
Vende ao amor as tuas forças e segue o Mestre Incomparável hoje, porque amanhã, possivelmente, será tarde demais.
Hoje é o teu dia.
Avança!
Joanna de Ângelis
(*)II Timóteo 4:5.
(1) Mateus 19:21.
Notas da autora espiritual.
(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 22 de julho de 2013, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia, quando o Papa Francisco chegou ao Brasil, para iniciar a Jornada Mundial da Juventude.)
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28/06/2013

PARA O MOMENTO ATUAL DO BRASIL: ORAÇÄO E VIGILANCIA!

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PARA O MOMENTO ATUAL DO BRASIL: ORAÇÄO E VIGILIANCIA!


Mensagem psicografada por Dra. Marlene Nobre


Marlene Nobre psicografou uma mensagem no dia 19 de junho no Grupo Espírita Caibar Schutel, a médium esclareceu ainda que José Maria da Silva Paranhos Jr. (Barão do Rio Branco) assumiu a autoria da mensagem, mas que o mentor deixou claro que falava em nome de uma falange.
Fazem parte dela e estavam ali presentes Pedro de Alcântara, Bezerra de Menezes, Rui Barbosa, Tiradentes, Freitas Nobre, Frei Caneca, Cairbar Schutel e inúmeros outros brasileiros ilustres.


Caros irmãos,                                                                                 
                                                                                                      O Brasil vive hoje um momento delicado de sua história.
Brasileiros, na sua maioria irmãos nossos ainda jovens na vestimenta física, exprimem nas ruas suas angústias, incertezas e mesmo revoltas subjacentes, acumuladas ao longo de decênios de insatisfação, ante a falta de respostas concretas com relação ao futuro e ao destino real que almejam para suas existências.
É preciso que as forças vivas da nação aglutinem-se em torno de todas as figuras históricas e heroicas, que serviram com idealismo ao País, a fim de encontrarem soluções justas aos anseios legítimos das pessoas, que se veem, cada vez mais, entregues a si mesmas, sem contar com o respaldo de interlocutores compassivos, que façam do diálogo um instrumento real de crescimento e aprimoramento da sociedade como um todo.
As reivindicações diversas expressam o grau de insatisfação popular com o aumento crescente da coleta de impostos, com os desvios de dinheiro público e com o mau emprego de bens e patrimônios da Nação, responsáveis por frustrações repetidas, principalmente, dos mais jovens, ante a precariedade de investimentos nas áreas essenciais como saúde e educação, entre outras.
As insatisfações são dirigidas principalmente aos que têm a responsabilidade de cuidar das questões político-administrativas do País, pedindo especial atenção aos projetos que verdadeiramente interessam ao bem-estar e ao progresso da coletividade.
Há algum tempo esses interesses vêm sendo administrados, em determinados setores do País, por espíritos que se locupletam indebitamente da rica produção nacional, espoliando o País justamente no momento em que avança para o seu mais amplo desenvolvimento.
Continuam encarcerados no egocentrismo, na visão estreita do personalismo inferior, incapazes de enxergar as necessidades do conjunto, formado pela grande família brasileira, que deveria na verdade ser a usufrutuária dos bens produzidos.
Por isso, meus amigos, enfrentamos, na hora presente, momentos difíceis que exigem oração, vigilância, cautela.
Permita Jesus a união das criaturas nobres, que já despertaram para as verdadeiras responsabilidades sociais e democráticas, dentro de uma visão holística e abrangente, que contemple todos os setores da sociedade em suas necessidades espirituais mais profundas.
Que essas forças vivas, verdadeiras estacas de sustentação do Brasil livre, possam defendê-lo dos movimentos radicais, que buscam nessas horas difíceis lançá-lo nos caminhos da violência, na tentativa de usurpar-lhe o clima pacífico, seu apanágio maior, desde a fundação.
Meus irmãos, o tempo é de vigilância, de cuidado, de oração.
Que todos se unam em torno dessas forças vivas, que estão voltadas para a espiritualidade superior, a fim de que possam neutralizar os arremessos das trevas, promovendo as mudanças necessárias, mas sem violência.
Há pouco mais de 20 anos, seguindo a voz das ruas, os poderes constituídos destituíram um presidente da república; a partir de então, era de se esperar que os responsáveis pelos destinos da nação priorizassem em suas ações a probidade administrativa em todas as áreas, mantendo como objetivo maior a distribuição mais justa e igualitária da riqueza.
Era de se esperar que amadurecessem, procurando servir às camadas mais pobres da população, e, sobretudo, à valorosa Nação, que lhes deu o berço, e que foi dotada pelo Criador de grandes jazidas naturais, do maior reservatório de água do mundo e que permanece emoldurada pela beleza ímpar de sua natureza exuberante.
O mundo cibernético, todavia, abriu imensas possibilidades para que as gargantas se exprimissem em conjunto, em uníssono, e os jovens saíram às ruas. Mas se isso representou um avanço nas formas de expressão das almas, trouxe também imensas preocupações quanto aos rumos do País, porque não se sabe se as forças negativas tomarão a frente, tentando impedir o cumprimento da importante missão que o Brasil tem a desempenhar perante si mesmo e perante as demais nações do mundo.
Por isso, meus amigos, diante do mostruário desta noite, solicitamos silêncio, meditação, prece e, sobretudo, entranhado amor pelo País que vos recebeu de braços abertos depois de inúmeras encarnações de falência para vos reabilitardes perante o Pai.
Que Ele nos abençoe.

21/06/2013

PALAVRAS DE DIVALDO FRANCO sobre as manifestações no Brasil

Palavras de Divaldo Franco sobre as manifestações no Brasil

Segue texto de autoria de Divaldo Franco publicado no Jornal A Tarde de hoje, 20/06/13, sobre as manifestações estudantis pelo Brasil.

"Quando as injustiças sociais atingem o clímax e a indiferença dos governantes pelo povo que estorcega nas amarras das necessidades diárias, sob o açodar dos conflitos íntimos e do sofrimento que se generaliza, nas culturas democráticas, as massas correm às ruas e às praças das cidades para apresentar o seu clamor, para exigir respeito, para que sejam cumpridas as promessas eleitoreiras que lhe foram feitas...
Já não é mais possível amordaçar as pessoas, oprimindo-as e ameaçando-as com os instrumentos da agressividade policial e da indiferença pelas suas dores.
O ser humano da atualidade encontra-se inquieto em toda parte, recorrendo ao direito de ser respeitado e de ter ensejo de viver com o mínimo de dignidade.
Não há mais lugar na cultura moderna, para o absurdo de governos arbitrários, nem da aplicação dos recursos que são arrancados do povo para extravagâncias disfarçadas de necessárias, enquanto a educação, a saúde, o trabalho são escassos ou colocados em plano inferior.
A utilização de estatísticas falsas, adaptadas aos interesses dos administradores, não consegue aplacar a fome, iluminar a ignorância, auxiliar na libertação das doenças, ampliar o leque de trabalho digno em vez do assistencialismo que mascara os sofrimentos e abre espaço para o clamor que hoje explode no País e em diversas cidades do mundo.
É lamentável, porém, que pessoas inescrupulosas, arruaceiras, que vivem a soldo da anarquia e do desrespeito, aproveitem-se desses nobres movimentos e os transformem em festival de destruição.
Que, para esses inconsequentes, sejam aplicadas as corrigendas previstas pelas leis, mas que se preservem os direitos do cidadão para reclamar justiça e apoio nas suas reivindicações.
O povo, quando clama em sofrimento, não silencia sua voz, senão quando atendidas as suas justas reivindicações. Nesse sentido, cabe aos jovens, os cidadãos do futuro, a iniciativa de invectivar contra as infames condutas... porém, em ordem e em paz."
Divaldo Pereira Franco

30/03/2013

ARREPENDIMENTO E PAZ

ascensao

Num intervalo das agudas perseguições, retornando da Samaria, onde falara para muitos conversos e curara com João, Pedro foi procurado por um jovem, que trazia o
corpo coberto de pústulas nauseantes, no afã da Casa do Caminho, sempre repleta de necessitados. Desfigurado
pela inflamação da face, eram apenas os olhos miúdos
que brilhavam e a voz rouca suplicando comiseração.
Quando o Apóstolo se aproximou, o enfermo
prosternou-se e exclamou:
– Homem santo de Deus!
Pedro interrompeu-o com veemência:
– Sou apenas homem impuro como tu...
– Mas podeis curar-me – choramingou o visitante em desequilíbrio – eu acabo de ser expulso da cidade, do convívio dos sãos, em razão da lepra que me devora
o corpo e a alma infeliz...
Não pôde prosseguir. Quase em convulsão, tartamudeou:
– Tudo começou... no templo... no apedre... jamento ...
Pedro quase recuou horrorizado . Recordava-se daqueles olhos perversos, frios, e dos gritos do agitador, que conclamava a turba em fúria para a lapidação de Estevão. Jamais o esqueceria. Era jovem e guapo, ágil e violento. Gargalhava e apedrejava o prisioneiro indefeso. Apiedara-se dele a partir daquele momento. Pedro conhecia a força
do “choque de retorno” nas “carnes”, da própria “alma”. Orou por ele, então, naquela ocasião,
e agora ele estava ali suplicante.
– Que te aconteceu?! - Indagou, compungido.
– Não vos recordais de mim ?! - Interrogou,
desconsolado – Apedrejei e conduzi a malta
contra o vosso irmão até a sua morte,
há pouco tempo...
Fez-se grande e dorido silêncio, que ele quebrou,
dando prosseguimento:
– A partir daquele dia – ainda me recordo da mirífica luz que vi brotar do mártir antes de morrer – perdi a alegria barulhenta de viver, eu que, alucinado, já não tinha paz.
Os seus olhos em chama e em tranqüilidade,
desvairavam-me. Tropecei no arrependimento
mais cruel e fugi
para a embriaguês dos sentidos, a que já me acostumara. Por mais desejasse esquecer, aumentava-me sempre a lembrança do crime, da crueldade perpetrada.
Silenciou por um pouco, e aduziu:
– Passei a sentir comichão nos braços apedrejadores
e dores nas articulações. Pequenos botões em flor de
carne avermelhada surgiram-me na pele e começaram
a explodir em pus... Depois, no peito, no ventre,
nas pernas, no rosto, em todo corpo... E a febre que me açoita,arbusto frágil que sou no vendaval, não cessa, enlouquecendo-me. Os doutores receitaram-me
ungüentos, sacrifícios no Templo, que executei, sem resultado. Hoje me expulsaram... O vale dos imundos
será o meu lugar. Recordei-me de vós, que curais
as doenças do corpo e do Espírito, porque a minha, é enfermidade da alma perversa, que se exterioriza
no corpo infame. Tende piedade, em nome do
vosso Mestre! Mandaram-me procurar-vos, os
parentes meus, que fogem de mim. Venho rogar perdão, antes de matar-me, pois que, mil vezes é melhor a
morte com honra do que a vida com desgraça!
– Acalma-te, meu filho – ripostou o Apóstolo – e
não blasfemes. A vida é bem de Deus, que a dá,
a conduz e a interrompe no corpo, quando Lhe apraz,
a fim de trasladar a alma à eternidade, onde nada perece. Necessitas viver, a fim de reparares o teu mal, o que
fizeste aos outros, e encontrares a felicidade real,
que ainda não desfrutaste. Realmente, os erros aqui
na Terra cometidos, como nos ensinou o Senhor,
aqui serão resgatados. Arrepende-te sinceramente,
e não apenas para recuperares a saúde, porque,
enquanto não se dá a transformação interior,
transita-se de uma enfermidade para outra, sem
que se encontre a saúde real, que é paz de espírito.
O jovem, deformado pelas ulcerações, ainda ajoelhado
e súplice, afogava-se no caudaloso rio das lágrimas. Profundamente compadecido, o Apóstolo orou a Jesus.
Não terminara a prece sentida, quando vislumbrou Estevão, nimbado de claridade diamantina,
adentrando-se pelo recinto, sorrindo e acercando-se.
Simão ficou extasiado e começou a chorar suavemente.
– Pedro – falou o visitante iluminado – o amor e
a caridade são as asas que nos elevam o ser a Deus,
quando o conhecimento da verdade lhe sustenta o pensamento e lhe vitaliza o coração. Socorramos o
pobre irmão, que corre pelo apertado espaço de
sombras, no qual se encontra, para que reconquiste a
saída para a luz libertadora. É da Divina Lei que
retribuamos com o bem todo o mal que recebermos.
Assim, não há outra alternativa, senão amar e ajudar.
As feridas que cobrem o corpo do enfermo são as
energias que o intoxicavam e agora são expelidas.
O seu arrependimento e os propósitos para tornar-se
melhor, secarão o poço de peçonha. Mas nós lhe
devemos cicatrizar as chagas externas com o
bálsamo da compaixão.
Simão, então, explicou ao enfermo:
– Os céus ouviram tuas súplicas, e Estevão,
vivo e puro, vem te auxiliar através das minhas
mãos e do teu arrependimento real.
Colocando a destra sobre a cabeça e a sinistra
sobre a fronte febril, Pedro orou, enquanto o
doente estorcegava, afirmando arderem o corpo
e as chagas, até cair exausto, banhado por álgido suor. Terminando a aplicação de energias, o “pescador de
almas” tomou-o nos braços fortes, acostumados a
segurar as redes no mar da Galiléia, e recolheu o
paciente desmaiado à enxerga mais próxima.
Lentamente as feridas e intumescências vermelho-arroxeadas começaram a murchar, e a pele foi-se recuperando, até tornar-se lisa e sem mancha.
Deixando-o dormir, o discípulo abnegado
recordou-se de Jesus e balbuciou, comovido:
– ...E “não tornes a pecar, para que não
te aconteça algo pior”.
Afastou-se em silêncio com o coração explodindo
de alegrias e de gratidão a Deus, reflexionando
na sabedoria e misericórdia das Leis da Vida.

Amélia Rodrigues

06/02/2013

RESGATES COLETIVOS

Excelente entrevista com a Dª. Ormi Avino

ormi

31/01/2013

CALAMIDADES

calamida

Com freqüência regular a Terra se faz visitada por catástrofes diversas que deixam rastros de sangue, luto e dor, em veemente convite à meditação dos homens.
Conseqüência natural da lei de destruição que enseja a renovação das formas e faculta a evolução dos seres, sempre conseguem produzir impactos, graças à força devastadora de que se revestem.
Cataclismos sísmicos e revoluções geológicas que irrompem voluptuosos em forma de terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, obedecem ao impositivo das adaptações, acomodações e estruturação das diversas camadas da Terra; no seu trânsito de "mundo expiatório" para "regenerador" .
Tais desesperadores eventos impõem ao homem invigilante a necessidade da meditação e da submissão à vontade divina, do que resultam transformações morais que o incitam à elevação.
Olhados sob o ponto de vista espiritual esses flagelos destruidores têm objetivos saneadores que removem as pesadas cargas psíquicas existentes na atmosfera, que o homem elimina e aspira, em contínua intoxicação.
Indubitavelmente trazem muitas aflições pelos danos que se demoram após a extinção de vidas, arrebatadas coletivamente, deixando marcas de difícil remoção, que se insculpem no caráter, na mente e nos corpos das criaturas.
Algumas outras calamidades como as pestes, os incêndios, os desastres de alto porte são resultantes do atraso moral e intelectual dos habitantes do planeta, que, no entanto, lhes constituem desafios, que de futuro podem remover ou deles precatar-se. (À véspera havia irrompido, em São Paulo, o incêndio do Edificio Joelma, que arrebatou mais de 170 vidas e revelou alguns heróis. Descrito e analisado no livro Éramos seis)
As endemias e epidemias que varriam o planeta no passado, continuamente, com danos incalculáveis, em grande parte são, hoje, capítulo superado, graças às admiráveis conquistas decorrentes da "revolução tecnológica" e da abnegação de inúmeros cientistas que se sacrificaram para a salvação das coletividades. Muitas outras que ainda constituem verdadeiras catástofres, caminham para oportunas vitórias do engenho e da perseverança humana.
Há, também, aquelas resultantes da imprevidência, da invigilância, por meio das quais o homem irresponsável se autopune, mediante os rigores dos sofrimentos decorrentes das desencarnações precipitadas, através de violentos sinistros e funestas ocorrências ...
Pareceriam desnecessárias as aflições coletivas que arrebatam justos e injustos, bons e maus, se olhados os saldos precipitadamente. Conveniente, todavia, refletir quanto à justeza das leis divinas que recorrem a métodos purificadores e liberativos, de que os infratores e defraudadores das Leis e da Ordem não se podem furtar ou evitar.
Comparsas de hediondas chacinas;
grupos de vândalos que se aliciam na desordem e usurpação;
maltas de inveterados agressores que se indentificam em matanças e destruições;
corsários e marinhagens desvairados em acumpliciamentos para pilhagens criminosas;
soldadesca mercenária, impiedosa e avassaladora, que se refestela, brutal, na inocência imolada selvagemente;
incendiários contumazes de lares e celeiros, em hordas nefastas e contínuas;
bandos bárbaros de exterminadores, que tudo assolam por onde passam;
cúmplices e seviciadores de vítimas inermes que lhes padecem as constrições danosas;
pesquisadores e cientistas impenitentes, empedernidos pelas incessantes experiências macabras de que se nutrem em agrupamentos frios;
legisladores sádicos e injustos que se desforçam nas gerações débeis que esmagam;
conquistadores arbitrários, carniceiros, que subjugam cidades nobres, tornando suas vítimas cadáveres insepultos, enquanto se banqueteiam em sangue e estupor; mentes vinculadas entre si por estranhas amarras de ódio, ciúme e inveja que incendeiam paixões,
são reunidos novamente em vidas futuras,
atravessando os portais da Imortalidade, através de resgates coletivos, como coletivamente espoliaram, destruíram, escarneceram, aniquilaram, venceram os que encontravam à frente e consideravam impedimentos à sua ferocidade e barbaria, vandalismo e estroinice, a fim de que se reajustem, no concerto Cósmico da Vida, servindo também de escarmento para os demais, que, não obstante se comovem ante as desgraças que os surpreendem, cobrando-lhes as graves dívidas, prosseguem, atônitos e desregrados, em atitudes infelizes sem que lhes hajam constituído lições valiosas, capazes de converter-se em motivo de transformação interior.
Construtores gananciosos que se fazem instrumento para cobranças negativas, maquinistas e condutores de veículos displicentes, que favorecem tragédias volumosas, homens que vendem a honradez e sabem que determinadas calamidades têm origem nas suas mentes e mãos, embora ignorados pela Justiça humana não se furtarão à Consciência Divina neles mesmos insculpida, que lhes exigirá retorno ao proscênio em que se fizeram criminosos ignorados para tornarem-se heróis, salvando outros e perecendo, como necessidade purificadora de que se alçarão, depois, à paz.
Não constituem castigos as catástrofes que chocam uns e arrebatam outros, antes significam justiça integral que se realiza.
Enquanto o egoísmo governe os grupos humanos e espalhe suas torpes sementes, em forma de presunção, de ódio, de orgulho, de indiferença à aflição do próximo, a Humanidade provará a ardência dos desesperos coletivos e das coletivas lágrimas, em chamamentos severos à identificação com o bem e o amor, à caridade e ao sacrifício.
Como há podido pela técnica superar e remover vários fatores de calamidades, pelas conquistas morais conseguirá, a pouco e pouco, suplantar as exigências transitórias de tais injunções redentoras.
Não bastassem as legítimas concessões do ajustamento espiritual, as calamidades fazem que os homens recordem o poder indômito de forças superiores que os levam a ajustar-se à sua pequenez e emular-se para o crescimento que lhes acena.
Tocados pelas dores gerais, partícipes das angústias que se abatem sobre os lares vitimados pela fúria da catástrofe, ajudemo-nos e oremos, formando a corrente da fraternidade santificante e, desde logo, estaremos construindo a coletividade harmônica que atravessará o túmulo em paz e esperança, com os júbilos do viajor retomando ditoso à Pátria da ventura.
Joanna de Angelis
Divaldo Franco

Emmanuel

Emmanuel

Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?


(Pergunta endereçada a Emmanuel por algumas dezenas de pessoas em reunião pública, na noite de 23-2-1972, em Uberaba, Minas).

RESPOSTA:

Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o Homem, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio.

Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.

É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.

***

Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontro marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos.

Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras.

Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de
sangue e lágrimas.

Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidade na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.

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Criamos a culpa e nós mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir-lhe as conseqüências. E a Sabedoria Divina se vale dos nossos esforços e tarefas de resgate e reajuste a fim de induzir-nos a estudos e progressos sempre mais amplos no que diga respeito à nossa própria segurança.

É por este motivo que, de todas as calamidades terrestres, o Homem se retira com mais experiência e mais luz no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar a vida.

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Lamentemos sem desespero, quantos se fizerem vítimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles é a nossa dor. Os problemas com que se defrontaram são igualmente nossos.

Não nos esqueçamos, porém, de que nunca estamos sem a presença de Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento é invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nós, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor.

(Transcrito do livro: XAVIER, Francisco C. Autores diversos. Chico Xavier pede licença. S.Bernardo do Campo: Ed. GEEM. Cap. 19).