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28/07/2010

O PENSAMENTO

Formas-Pensamento 


Emmanel no prefácio do livro Sinal Verde de André Luiz nós dá uma brilhante explicação sobre o pensamento e suas relações:
“Não desconhecemos que todos respiramos num oceano de ondas mentais, com o impositivo de ajustá-las em benefício próprio.
Vasto mar de vibrações permutadas.
Emitimos forças e recebemo-las, o pensamento vige na base desse inevitável sistema de trocas”
Mercado é definido como sistema de circulação de bens e capital dentro de uma sociedade, ou seja, trata-se de um sistema de trocas. Emmanuel explica que nós vivemos num intercâmbio de pensamentos entre todos os seres humanos encarnados e desencarnados cujo funcionamento é semelhante ao Mercado, no sentido de também ser um sistema de trocas.
O objetivo deste estudo é compreender sob a ótica espírita o pensamento e suas conseqüências e como funciona seu intercâmbio entre as pessoas.
2. CONCEITO
Etimológicamento falando a palavra Pensamento vem do latim pensare significa pesar, isto é, medir, avaliar e comparar.
No sentido mais lato, pensamento é toda atividade psíquica;
Numa acepção mais estreita, só o conjunto de todos os fenômenos cognitivos, e excluindo, portanto, os sentimentos e as volições;
Em estrito senso, pensamento é sinônimo de "intelecto", enquanto permite compreender — ou inteligir — a matéria do conhecimento e na medida em que realiza um grau de síntese mais elevado que a percepção, a memória e a imaginação.
O pensamento, neste sentido mais estrito, toma três formas: concepção, juízo e raciocínio, os quais são objeto de estudo, já da lógica, que considera a sua validez em relação ao objeto pensado, já da psicologia, que, prescindindo do valor crítico, investiga a sua natureza e leis de aparecimento. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)
Podemos dizer, também, que o pensamento é a seqüência de representações e conceitos. Não pertence ao tempo nem ao espaço. São generalizações que permanecem virtualizadas em nossa mente. O ato de pensar, como ato, é sempre novo, ou seja, é a atualização temporal e espacial do conceito. Exemplo: o círculo, como conceito, é sempre o mesmo. Ao pensarmos uma, duas, três ... ene vezes sobre essa figura, cada uma delas será, para nós, sempre nova. Este é o sentido da evolução criadora de Bergson. Para ele, todo o momento é criativo, porque nunca o vivenciamos anteriormente.
Para o Espiritismo, é o elemento nobre, modelador das ações dos Espíritos, através de fluídos etéreos. Allan Kardec, em A Gênese, diz que o pensamento “é a grande oficina ou o laboratório da vida espiritual”. “O pensamento e a vontade são para os Espíritos aquilo que a mão é para o homem”. (1977, cap. 14, it.14, p.282)
Para expandir o entendimento de forma dialética apresento três questões básicas para o entendimento do tema:
1.- Pensamento. O que é? Tem ele força? Qual?
O pensamento é uma manifestação do espírito, que, para tanto, utiliza-se de seu livre-arbítrio. Quando o emitimos, ele se materializa e ganha o espaço, por intermédio do fluido cósmico em que estamos mergulhados. Uma vez exteriorizado por esse fluido, pode ser recepcionado por outro espírito, encarnado ou desencarnado. Porém, os desencarnados têm maior facilidade de captá-lo, devido ao fato de sua capacidade perceptiva não se encontrar embaraçada pela matéria densa. Alguns, contudo, têm essa faculdade desenvolvida o bastante para lhes permitir que, embora encarnados, tenham a percepção do pensamento de outrem.
2.- Campo mental é o mesmo que pensamento?
O campo mental ou corpo mental, como preferem alguns autores, tem a sua sede no espírito. Segundo André Luiz, em outra de suas obras, o livro "Evolução em Dois Mundos", é "o envoltório sutil da mente", ainda não suscetível de ser definido. Por ora, limitando-nos ao quanto nosso estágio evolutivo permite depreender, podemos dizer que é a parte do espírito que envolve a mente, mais sutil ainda do que o perispírito. Segundo alguns autores, seria um quarto elemento de que se compõe o homem, ao lado dos três outros que os Espíritos informaram a
Allan Kardec (espírito, perispírito e corpo físico).
3.- Mente. O que é? Qual sua importância? Por quê?
Em poucas palavras, podemos definir a mente como sendo a parte do espírito que o dirige. É o elemento de maior importância para ele, chegando, mesmo, alguns, a confundi-la com o próprio espírito. É a responsável pela produção do pensamento e pela formação do corpo espiritual (perispírito), que a espelha e que, por sua vez, vai servir de molde à formação do corpo físico. Por tudo isso, podemos dizer que somos o resultado da nossa mente ou, até, que somos a mente.
A resposta dessas questões foi fruto da leitura dos ensinamentos de André Luiz nos livros Entre o Céu e a Terra e Evolução em Dois Mundos. O próximo passo é entender passo a passo o teor do que até aqui foi exposto.
3. GÊNESE DO PENSAMENTO
Quanto às etapas na gênese do pensamento, há quem distinga cinco, a saber:
1.ª) estímulo — um problema que o desperta, podendo ser uma dúvida, incerteza, inquietação ou qualquer outra coisa;
2.ª) pesquisa — procura de documentação capaz de esclarecer o problema, através de uma atividade nervosa e psíquica que se desencadeia;
3.ª) hipótese — fase crucial e a mais importante do processo do pensamento, em que os dados obtidos são elaborados;
4.ª) solução — abandono da dúvida em vista da força dos elementos colhidos;
5.ª) crítica — fase final de análise do caminho seguido.
Outros autores contentam-se em mencionar três momentos no processo do pensamento:
Este começa por uma intuição empírica, sensorial e psicológica (introspecção), que faz conhecer imediatamente um fato não compreendido e levanta problemas. Depois seguem-se as operações pelas quais se procura resolver esses problemas, e que constituem o pensamento discursivo. Por fim aparece a intuição racional, onde desemboca o trabalho do pensamento. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)
4. PENSAMENTO E MATÉRIA MENTAL
Os Espíritos da equipe codificadora afirmam que uma das modificações mais importantes do fluido universal é o fluido vital. Ele é o responsável pela força motriz que movimenta os corpos vivos. Sem ele, a matéria é inerte.
Cada ser tem uma quantidade de fluido vital, de acordo com suas necessidades. As variações dependem de uma série de fatores. Allan Kardec nos instrui sobre o assunto em O Livro dos Espíritos:
“A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados de fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos, mais enérgicos, e de certa maneira, de vida superabundante”.
“A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida, se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contêm”.
“O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos, e em certos casos fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se”.
Pela mente os Espíritos absorvem o fluido cósmico, transmudando-o em um sub-produto, a matéria mental vibrátil, um fluido vivo e multiforme, estuante e inextancável, em processo vitalista semelhante à respiração, cujas vibrações são as impressas pela mente que a emitiu, cuja ação influencia, a partir de si mesma e sob a própria responsabilidade, a Criação. Esse subproduto é o fluído vital.
A matéria mental tem natureza corpuscular, atômica e também resulta da associação de formas positivas e negativas. Utiliza-se denominar tais princípios de “núcleos, prótons, nêutrons, posítrons, elétrons ou fótons mentais”, em vista da ausência de terminologia analógica para estruturação mais segura de nossos apontamentos. (Xavier, 1977, cap. 4)
5. ASSOCIAÇÃO DE IDÉIAS
O Espírito André Luiz diz: "Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham, idéia essa que para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim, espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir" (Xavier, 1977, p. 48).
Significa dizer: dado um estímulo, imediatamente colocamos o nosso pensamento em sintonia com o clima das respostas que o referido estímulo sugere. Observe a leitura de um jornal: cada um de nós vai direto àquilo que mais lhe interessa. Se gostamos de futebol, abrimos as páginas esportivas; se nossa preferência é a saber sobre a vida pública de um país, consultamos as páginas de economia e política; se preferimos a arte, vasculhamos o caderno ilustrado. Desse modo, as "nossas companhias", quer boas ou ruins, dependem essencialmente de nossa escolha.
Diante disso o ditado popular “diga-me com quem andas que eu te direi que és” pode ser adaptado para “diga-me quem és que eu te direi com quem andas” ou ainda “Diga-me como pensas que eu te direi com quem andas”.
6. PENSAMENTO FORMA E FORMA PENSAMENTO
Com freqüência, as transformações são o produto de um pensamento. diz Kardec: “Basta ao espírito pensar numa coisa para que tal coisa se produza”. Desta forma, tomando conhecimento de tal verdade, devemos fazer bom uso dos nossos pensamentos, pois eles são movimentados por energias cósmicas, fluidos etéreos, que, embora invisíveis aos nossos olhos, estão presentes onde as nossas forças físicas jamais chegariam. Nosso pensamento é um raio que tanto pode conduzir luz edificante como energias deletérias ou destruidoras.
7. FOTOGRAFIA DO PENSAMENTO
Sendo o Pensamento criador de imagens fluídicas, reflete-se no Perispírito como num espelho, tomando corpo e, aí, fotografando-se. Se um homem, por exemplo, tiver a idéia de matar alguém, embora seu corpo material se conserve impassível, seu corpo fluídico é acionado por essa idéia e a reproduz com todos os matizes. Ele executa fluidicamente o gesto, o ato que o indivíduo premeditou. Seu pensamento cria a imagem da vítima e a cena inteira se desenha, como num quadro, tal qual lhe está na mente. É assim que os mais secretos movimentos da alma repercutem no invólucro fluídico. É assim que uma alma pode ler na outra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos corporais. (Kardec, 1975, p. 115)
No livro Libertação , André Luiz narra que em determinada região umbralina as pessoas eram selecionadas e julgadas por trabalhadores que utilizavam uma espécie de aparelho que captava as imagens fluídicas das pessoas de acordo com os delitos cometidos.
No plano espiritual não há como criar máscaras ou esquivar-se, somos reconhecidos pela nossa imagem fluídica irradiada pelo nosso períspirito. Tal imagem é decorrente de nossos atos e pensamentos durante a experiência corpórea.
8. PERTURBAÇÕES DO PENSAMENTO
Segundo a Psicologia, entende-se como o conjunto de alterações mais ou menos profundas da estrutura diferenciada e intencional do ato psíquico. É assim possível descrever as anomalias da ideação (encadeamento das idéias), da atenção espontânea e voluntária, da eficiência intelectual etc. Numa outra perspectiva, descreve-se, através das modalidades expressivas do discurso, uma aceleração aparente (fuga das idéias) ou um abrandamento (bradipsiquia) do pensamento, na mania e na melancolia. Na esquizofrenia, o pensamento perturbado no seu funcionamento, exprime-se por meio de uma linguagem estranha, caótica, dissociada, por vezes interrompida. (Thines, 1984)
No próximo tópico veremos as perturbações do pensamento segundo o Espiritismo.
9. FIXAÇÃO MENTAL (MONOIDEÍSMO)
Monoideísmo é estado patológico caracterizado pela tendência de uma pessoa retornar sempre em seu pensamento em sua palavra a um só tema. É a idéia fixa, ou o estado de consciência mórbida, que se caracteriza pela persistência de uma idéia, que nem o curso normal das idéias, nem a vontade conseguem dissipar. Vingança, desespero, paixões e desânimo são algumas das causas da fixação mental. Nosso cérebro funciona à semelhança de um dínamo. Dado o primeiro estímulo, interno ou externo, o que passa a contar é a manutenção de nosso pensamento num mesmo teor de idéia. Quanto mais tempo permanecermos num assunto, mais as imagens do tema se cristalizarão em nosso halo mental. A fixação mental é uma questão de atitude assumida: melhorando o teor energético de nosso pensamento, ampliaremos o nosso campo mental para o bem e estaremos nos libertando dos pensamentos malsãos.
Segue uma questão trazida ao lume por André Luiz:
O que é e qual a conseqüência da fixação mental?
Podemos entender como fixação mental o pensamento permanente do espírito em determinado sentido, no caso, um ato do passado. Em geral, ocorre quando o espírito se fixa num ato que praticou contrário às leis naturais e em detrimento de outrem. Quando o espírito se deixa levar por esse estado, abstrai-se de tudo o mais que acontece em sua existência, mantendo seu psiquismo fixado unicamente em torno desse fato. É o resultado do julgamento realizado pelo verdadeiro e único juiz das nossas ações: a nossa consciência.
Quando se encontra nessa situação, a presença da vítima é constante no pensamento do espírito, com o ato recriminado aparecendo com freqüência em sua tela mental. É inevitável a visita da dor reparadora.
10. PENSAMENTO E VONTADE
O fenômeno da sugestão mental é oportuno. Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham. Nesse sentido, somos herdeiros dos reflexos de nossas experiências anteriores, porém, com a capacidade de alterar-lhe a direção. Acionando a alavanca da vontade, poderemos traçar novos rumos para a libertação de nosso espírito. A vontade é o elemento do livre-arbítrio. Devemos ter comando sobre o pensamento, pois não falhamos só com palavras e atos. Pelo pensamento (sem barreira ou distância), o Espírito encarnado age sobre o semelhante, e o desencarnado, também, atua sobre nós, encarnados. Melhorando o pensamento, melhoramos a vida nos dois planos — físico e espiritual.
11.CONSEQUENCIAS DO PENSAMENTO
É muito comum ouvirmos as pessoas dizerem que “pensamento é vida” e sem saberem, estão falando uma grande verdade. Sob a ótica espírita, o assunto se desdobra mostrando outras realidades. Inclusive, faz com que passemos a vigiar mais os nossos pensamentos e atitudes.
Os Espíritos nos mostram a íntima relação que há entre fluído e pensamento. Em “A Gênese” Kardec informa que: “Sendo o fluido veículo do pensamento, este atua sobre os fluidos como o som sobre o ar; eles nos trazem o pensamento, como o ar nos traz o som” (cap. XIV, 15). No parágrafo seguinte ele continua dizendo que “Há mais: criando imagens fluídicas, o pensamento reflete no envoltório perispirítico, como num espelho; Toma nele corpo e aí de certo modo se fotografa.” Kardec conclui o item afirmando que “Desse modo é que os mais secretos movimentos da alma repercutem no envoltório fluídico; que uma alma pode ler noutra alma como num livro e ver o que não é perceptível aos olhos do corpo”.
Diante disso, quando pensamos em algo criamos imagens fluídicas. Afinal, “O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a Espírito (...) e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientais” (A Gênese, cap. XIX, 18). Para exemplificar essa força do pensamento é interessante nos reportamos à pesquisa feita na Inglaterra descrita no livro “Perispírito e suas Modelações” (cap. 28).
Com objetivo de comprovar ou não a força do pensamento, cientistas colocaram dóceis ratinhos da cidade próximos a ratos selvagens, mas sem possibilidade de contato físico. Os ratos selvagens tomavam atitudes de intimidação e enviam olhares agressivos e ameaçadores. Os ratinhos urbanos acabaram morrendo, embora não tivessem sofrido um único arranhão. A autópsia mostrou glândulas supra-renais dilatadas, sinal evidente de violenta pressão nervosa emocional. O autor conclui que é possível a agressão através do olhar de ódio ou qualquer outro sentimento menos digno.
O homem pode manter o equilíbrio de sua saúde vital através da alimentação e da respiração de ar não poluído, entre outros fatores, mas, acima disso, mantendo uma conduta mental sadia.
Nunca é demais reforçar que o pensamento exerce uma poderosa influência nos fluidos espirituais, modificando suas características básicas.
Os pensamentos bons impõem-lhes luminosidade e vibrações elevadas que causam conforto e sensação de bem estar às pessoas sob sua influência.
Os pensamentos maus provocam alterações vibratórias contrárias às citadas acima. Os fluidos ficam escuros e sua ação provoca mal-estar físico e psíquico.
"Os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável" (Allan Kardec - A Gênese, cap. XIV, item 16).
Pode-se concluir, assim, que em torno de uma pessoa, de uma família, de uma cidade, de uma nação ou planeta, existe uma atmosfera espiritual fluídica, que varia vibratoriamente, segundo a natureza moral dos Espíritos envolvidos.
À atmosfera fluídica associam-se seres desencarnados com tendências morais e vibratórias semelhantes. Por esta razão, os Espíritos superiores recomendam que nossa conduta, nas relações com a vida, seja a mais elevada possível. Uma criatura que vive entregue ao pessimismo e aos maus pensamentos tem em volta de si uma atmosfera espiritual escura, da qual aproximam-se espíritos doentios. A angústia, a tristeza e a desesperança aparecem, formando um quadro físico-psíquico deprimente, mas que pode ser modificado sob a orientação dos ensinos morais de Jesus.
"A ação dos Espíritos sobre os fluidos espirituais tem conseqüências de importância direta e capital para os encarnados. Desde o instante em que tais fluidos são o veículo do pensamento; que o pensamento lhes pode modificar as propriedades, é evidente que eles devem estar impregnados das qualidades boas ou más, dos pensamentos que os colocam em vibração, modificados pela pureza ou impureza dos sentimentos" (Allan Kardec - A Gênese, cap. XIV, item 16).
À medida que cresce através do conhecimento, o homem percebe que suas mazelas, tanto físicas quanto espirituais, são diretamente proporcionais ao seu grau evolutivo e que ele pode mudar esse estado de coisas, modificando-se moralmente. Aliando-se a boas companhias espirituais através de seus bons pensamentos, poderá estabelecer uma melhor atmosfera fluídica em torno de si e, conseqüentemente, do ambiente em que vive. Resumindo, todos somos responsáveis de alguma maneira pelo estado de dificuldades morais em que vive o Planeta atualmente e cabe a nós mesmos modificá-lo.
"Melhorando-se, a humanidade verá depurar-se a atmosfera fluídica em cujo meio vive, porque não lhe enviará senão bons fluidos, e estes oporão uma barreira à invasão dos maus. Se um dia a Terra chegar a não ser povoada senão por homens que, entre si, praticam as leis divinas do amor e da caridade, ninguém duvida que não se encontrem em condições de higiene física e moral completamente outras que as hoje existentes" (Allan Kardec - Revista Espírita, Maio, 1867).
No nosso dia a dia, nem sempre nos lembramos disso tudo e sem o percebermos, criamos ao redor imagens daquilo que está em nossas mentes. Tais criações mentais continuarão existindo enquanto as alimentarmos. Permanecerão ao nosso redor e fatalmente atrairá Espíritos com o mesmo padrão vibratório. Enfim, nós mesmos criamos o nosso céu ou o nosso inferno e cabe a nós desfazê-lo ou mantê-lo.
12. SÍNTESE
O pensamento é (1) nossa identificação, (2) é carreador de nossas emoções, (3) determina nosso estado de saúde e (4) determina nossas ações.
O pensamento é o principal atributo do espírito que é o princípio inteligente.
1) Pelos nossos pensamentos somos identificados no mundo espiritual. Ex: quando estamos nervosos, labaredas vermelhas aparecem em nós, quando estamos com ódio ou mágoa, somos cobertos por uma luz negra ou acinzentada.
2) O pensamento leva as nossas emoções para o ambiente e para o alvo do mesmo.
3) Mantendo bons pensamentos evitamos diversos problemas de saúde e relacionamento (entre encarnados e desencarnados).
4) devemos refletir antes de agir.
O pensamento é muito importante em nossas vidas, pois somos conseqüência destes.
13. CONCLUSÃO
Vigilância e oração atenuam as vicissitudes da senda regenerativa. Através delas, pomo-nos em sintonia conosco mesmos, tornando-nos cada dia mais auto-conscientes. Percebendo claramente nossas reações do cotidiano, criamos condições para nos avaliarmos e consequentemente substituirmos os automatismos negativos pelos positivos.
De acordo com o Espírito Lourdes Catherine (cap. 42) o momento ideal para impedir que um pensamento negativo se instale é quando ele surge. Ela sugere que criemos um “saneador”. O interessante é que esse saneador, ou melhor, “saneadores” estão constantemente junto conosco, mas nem sempre lançamos mão deles.
O primeiro chama-se permissão. Quando nos permitimos criar situações aflitivas, de agressões e desequilíbrio nos envolvemos de tal forma com fluidos desarmônicos que “infectamos” nossa psicosfera espiritual. Segundo a autora, “Muitas pessoas não comandam a própria força mental, tornando-se prisioneiro de si mesmo” (p.193). Realmente, não é raro ficarmos nas fantasias desequilibrantes. Ao invés disso, deveríamos voltar para as idéias de sucesso, força e paz. Deveríamos acreditar no nosso potencial e aproveitar as oportunidades da vida para crescer. E se por acaso nos arranharmos durante o percurso, é igualmente importante lembrar que as quedas são lições a serem aprendidas. Cabe a nós nos colocarmos novamente de pé e seguirmos a jornada evolutiva.
O segundo saneador é a oração. Através da prece, melhoramos nosso padrão vibratório mesmo que momentaneamente. Para tanto, ela precisa ser acionada pela vontade e vir do coração. Se na luta do dia a dia não conseguirmos longo tempo para orar, façamos pequenos momentos de desprendimento. Voltemos, por poucos minutos, nossa mente para o alto, entremos em estado de prece e mentalmente nos permitamos a “conversar” com o Pai. Ele, com certeza, nos dará forças e a própria oração “limpará” nossos lixos mentais. Importante é termos consciência de que nossa psicosfera será de luz ou de sombras na mesma proporção que investirmos no positivo ou no negativo.
Para encerrar este trabalho deixo uma prece de André Luiz para nossa reflexão sobre nossos pensamentos:
PENSAMENTOS IMPRÓPRIOS
Senhor e Mestre, vigia meus pensamentos! Acomodado na certeza de que meus pensamentos são invioláveis aos meus semelhante, muitas vezes ponho-me a pensar o que não devo, não poupando definições e julgamentos que se revelados, me propiciariam duras recriminições, senão momentos até piores!...
Movimento-me pela vida observando e analisando pessoas e circunstâncias, e nem sempre é possível furtar-me de pensamentos cujo teor não é nem fraterno e nem misericordioso, levando-me a me recriminar intimimamente após emití-los. Bem sei que para conduzir à falta basta o pensamento, porém não me sinto perfeito o bastante para evitar que eu julgue conforme meu estado de humor, levando a diminuir e até a ridicularizar o meu próximo em minha imaginação e em meus comentários, vez ou outra...
Me guarda, Senhor, de perseverar em semelhante estado de alma, visto que só cabe a Deus o julgamento de coisas e pessoas, não me sendo permitido emitir conclusões senão aquelas que possam beneficiar e restabelecer, reconstruir e reerguer...
Sempre que eu me sentir inclinado a julgar mentalmente meus irmãos, diminuindo-os perante meu imenso orgulho, recorda-me de que, se eu já consigo visualizar com tamanha perfeição os erros e os fracassos alheios, este é o momento certo para que eu visualize e corrija os meus próprios erros e fracassos, com perfeição semelhante!
14. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BOZZANO, E. Pensamento e Vontade.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.
LUIZ, A. Mecanismos da Mediunidade, cap. XIX.
KARDEC, A. Obras Póstumas, pág. 115.
_____________ A Gênese. Tradução Guillon Ribeiro, FEB, 33ª ed.
_____________ Obras Póstumas. 15. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.
NETO, Francisco do Espírito Santo; BATUÌRA, Espírito; LOURDES CATHERINE, Espírito. Conviver e Melhorar, Editora Boa Nova, 1999.
PINHEIRO, Luiz Gonzaga. O Perispírito e Suas Modelações. Do site: www.panoramaespírita.com.br

19/03/2010

ENTREVISTA SOBRE OS ELEMENTAIS

DIVALDO FRANCO

Divaldo Pereira Franco

– Existem os chamados espíritos elementais ou espíritos da Natureza?

Divaldo P. Franco – Sim, existem os espíritos que contribuem em favor do desenvolvimento dos recursos da Natureza. Em todas as épocas eles foram conhecidos, identificando-se através de nomenclatura variada, fazendo parte mitológica dos povos e tornando-se, alguns deles, “deuses”, que se faziam temer ou amar.

– Qual é o estágio evolutivo desses espíritos?

Divaldo P. Franco – Alguns são de elevada categoria e comandam os menos evoluídos, que se lhes submetem docilmente, elaborando em favor do progresso pessoal e geral, na condição de auxiliares daqueles que presidem aos fenômenos da Natureza.

– Então eles são submetidos hierarquicamente a outra ordem mais elevada de espíritos?

Divaldo P. Franco – De acordo com o papel que desempenham, de maior ou menor inteligência, tornam-se responsáveis por inúmeros fenômenos ou contribuem para que os mesmos aconteçam. Os que se fixam nas ocorrências inferiores, mais materiais, são, portanto, pela própria atividade que desempenham, mais atrasados submetidos aos de grande elevação, que os comandam e orientam.

– Este espíritos apresentam-se com formas definidas, como por exemplo fadas, duendes, gnomos, silfos, elfos, sátiros, etc? 

Divaldo P. Franco – Alguns deles, senão a grande maioria dos menos evoluídos, que ainda não tiveram reencarnações na Terra, apresentam-se, não raro, com formas especiais, pequena dimensão, o que deu origem aos diversos nomes na sociedades mitológicas do passado. Acreditamos pessoalmente, por experiências mediúnicas, que alguns vivem o Período Intermediário entre as formas primitivas e hominais, preparando-se para futuras reencarnações humanas.

– Quer dizer que já passaram ou passam, como nós, espíritos humanos, por ciclos evolutivos, reencarnações? 

Divaldo P. Franco – A reencarnação é lei da Vida através de cujo processo o psiquismo adquire sabedoria e “desvela o seu Deus interno”. Na questão nº. 538, de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec interroga “Formam categoria especial no mundo espírita os espíritos que presidem aos fenômenos da Natureza? Serão seres à parte ou espíritos que foram encarnados como nós?” E os Benfeitores da Humanidade responderam: “Que foram ou que o serão”.

– Algum dia serão ou já foram homens terrestres?

Divaldo P. Franco – Os mais elevados já viveram na Terra, onde desenvolveram grandes aptidões. Os outros, menos evoluídos reencarnar-se-ão na Terra ou outros mundos, após se desincumbirem de deveres que os credenciem ao crescimento moral e intelectual, avançado sempre, porque a perfeição é meta que a todos os seres está destinada.

– Os elementais são autóctones ou vieram de outro planeta?

Divaldo P. Franco – Pessoalmente acreditamos que um número imenso teve sua origem na Terra e outros vieram de diferentes mundos, a fim de contribuírem com o progresso do nosso Planeta.

– Que tarefas executam?

Divaldo P. Franco – Inumeráveis. Protegem os vegetais, os animais, os homens. Contribuem para acontecimentos diversos: tempestades, chuvas, maremotos, terremotos... interferindo nos fenômenos “normais” da Natureza sob o comando dos Engenheiros Espirituais que operam em nome de Deus, que “não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos”, como responderam os Venerandos Guias a Kardec, na questão 536 - b de “O Livro dos Espíritos”.

– Todos eles sabem manipular conscientemente os fluidos da Natureza? 

Divaldo P. Franco – Nem todos. Somente os condutores sabem o que fazem e para o que fazem, quando atuam nos elementos da Natureza. Os mais atrasados “oferecem utilidade ao conjunto” não suspeitando sequer que são “Instrumentos de Deus”. 

– Nós não os vemos normalmente. Isto significa que não se revestem de matéria densa? 

Divaldo P. Franco – O conceito de matéria, na atualidade, é muito amplo. A sua “invisibilidade” aos olhos humanos, a algum indivíduo, demonstra que sejam constituídos de maneira equivalente aos demais espíritos da Criação. Encontram-se em determinada fase de desenvolvimento, que são perceptíveis somente aos médiuns, as pessoas de percepção especial, qual ocorre também com os Espíritos Nobres, que não são detectados por qualquer pessoa destituída de faculdade mediúnica.

– Qual é o habitat natural desses Espíritos?

Divaldo P. Franco – A erraticidade, o mundo dos espíritos, pertencendo a uma classe própria e, portanto, vivendo em regiões compatíveis ao seu grau de evolução. “Misturam-se” aos homens e vivem, na grande maioria, na própria Natureza, que lhes serve de espaço especial.

– Uma das grandes preocupações da humanidade, atualmente, é a preservação do equilíbrio ecológico. Qual a atitude ou providência que tomam quando a Natureza é desrespeitada pelos homens? 

Divaldo P. Franco – Quando na infância do desenvolvimento, susceptíveis às reações mais primitivas, tornam-se agressivos e revoltados. À medida que evoluem, fazem-se benignos e se apiedam dos adversários da vida em qualquer forma pela qual esta se expressa. Assim, inspiram a proteção à Natureza, o desenvolvimento de recursos que a preservem, a sua utilização nobre em favor da vida em geral, em suma, “fazem pela Natureza o que gostariam que cada qual fizesse por si mesmo”.         

Paz e luz! Feliz fim de semana!

10/02/2010

O LIVRO DOS MÉDIUNS

mediunidade

Demonstra as conseqüências morais e filosóficas decorrentes das relações entre o mundo material e espiritual. 
Assim como O Livro dos Espíritos teve uma edição inicial de contato, ampliada definitivamente na segunda edição, também O Livro dos Médiuns foi precedido de um pequeno volume intitulado Instruções Práticas Sobre as
Manifestações Espíritas. Publicado em 1858 esse pequeno volume foi substituído, em janeiro de 1861, pela primeira edição de O Livro dos Médiuns.
A presente tradução foi feita da segunda edição, lançada por Didier & Cia. em 1862, sob revisão pessoal de Kardec: "com o concurso dos Espíritos e acrescida de grande número de novas instruções", como se lê no original francês. Foi essa a edição definitiva. 
Com a preparação deste livro, Kardec considerou o Instruções Práticas superado. Seu desejo era que os espíritas estudassem mais a fundo o problema mediúnico, não ficando apenas nas informações iniciais daquele pequeno volume. Etretanto, 65 anos mais tarde, em 1923, Jean Meyer, que então presidia a Casa dos Espíritas, em Paris, achou conveniente lançar nova edição do Instruções Práticas. Essa edição despertou, no Brasil, o interesse de Cairbar Schutel, que depois dos necessários entendimentos com Meyer lançou entre nós, pela sua modesta e heróica editora de Matão, Estado de
São Paulo, a primeira tradução brasileira da obra. Nova edição foi lançada em 1968 pela Casa Editora O Clarim, a mesma de Schutel, como parte das comemorações do primeiro centenário do nascimento de seu fundador.
Instruções Práticas se impôs novamente ao meio espírita como um livro necessário, em virtude do seu caráter de síntese. 
Apresentado por Kardec como continuação de O Livro dos Espíritos, este livro foi também considerado por ele como em grande parte obra deles, o que se pode verificar na Introdução. Os Espíritos o reviram, modificaram,
acrescentando-lhe um número muito grande de observações e instruções do mais alto interesse. É o segundo volume da Codificação do Espiritismo e,
como assinala Kardec, desenvolve a parte prática da doutrina. Por isso mesmo é o livro básico da Ciência Espírita, um tratado de mediunidade indispensável a todos os que se interessam pela boa realização de trabalhos mediúnicos e pelo desenvolvimento das pesquisas espíritas. 
A tese fundamental deste livro é a existência do perispírito ou corpo energético dos Espíritos, elemento de ligação do espírito ao corpo material. Essa ligação, de tipo energético ou vibratório, é o princípio da mediunidade. Assim como o nosso espírito anima o nosso corpo através do perispírito, constituído em vida o que chamamos alma, os demais Espíritos, de mortos ou de vivos, podem influenciá-lo. Em sintonia com o nosso espírito podem mesmo utilizar-se de nosso corpo para as suas manifestações. Dessa maneira, a mediunidade é uma condição natural do homem, uma faculdade geral da espécie humana, que se revela em dois campos paralelos de fenômenos: os anímicos, decorrentes das atividades do nosso próprio espírito fora do condicionamento orgânico; e os espíritas, decorrentes das relações naturais do nosso espírito com outros Espíritos.
 
(José Herculano Pires, na introdução de O Livro dos Médiuns, edições Lake)

08/02/2010

O TRÍPLICE ASPECTO DA DOUTRINA ESPÍRITA

espiritismo

No preâmbulo do livro "O QUE É O ESPIRITISMO", Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo:

"uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal" (Kardec [8])

E destacando os aspectos que constituem a doutrina dos espíritos, acrescenta o Codificador:

"O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas conseqüências morais que decorrem dessas relações" (Kardec [8])

Essa definição nos mostra que o alcance do Espiritismo é bem mais amplo do que podemos imaginar. Analisando com maior cuidado a seqüência de trabalhos seguida pelo Codificador, perceberemos que esta abrangência se justifica. Inicialmente, Kardec lançou mão da sonda da investigação para poder comprovar a veracidade dos fatos (ciência); em seguida, percebendo que poderia extrair conteúdo mais nobre daqueles fenômenos, formulou questões de elevado teor filosófico (filosofia); na seqüência, retomando as pesquisas científicas constatou que aquelas verdades, trazidas sob a coordenação dos espíritos superiores estavam entrelaçadas a conseqüências morais-religiosas para o Homem (religião).

A Doutrina Espírita vinha abalar os alicerces milenares do misticismo, da intolerância, da fé dogmática, do materialismo científico, e era preciso que sua autoridade tivesse apoio na verdade da revelação divina e nas provas dos fatos, a fim de que não pudesse ser honestamente contestada nos seus princípios básicos. (Barbosa [2])

Desta forma, a Doutrina Espírita precisa ser estudada e compreendida em seu tríplice aspecto, a fim de se evitar que ocorram distorções, comuns em todo corpo de conhecimento, visto que cada um de nós tendemos a interpretar as coisas da maneira que mais nos convém, mais nos agrada ou que nossas experiências pessoais permitem.

O ESPIRITISMO FILOSÓFICO

O Espiritismo é uma doutrina essencialmente filosófica. Analisando a natureza humana, algumas questões vêm atravessando séculos e civilizações :

  • existe Deus ?
  • de onde viemos ?
  • para onde vamos ?
  • por que estamos na Terra ?
  • por que e para que tanta luta ?
  • existe vida após a morte ?
  • se existe, o homem é feliz ou infeliz após a morte ?

O aspecto filosófico do Espiritismo ocupa-se com a finalidade da vida e com a destinação da alma. Mostra-nos através de um racioínio lógico que fomos todos criados simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento e sem moral desenvolvida, e que através de vidas sucessivas caminhamos para a nossa destinação que é a felicidade.

"O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio de trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que nós tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste" (Denis [4])

A medida que a alma se eleva, vai acumulando saber e virtude. A rapidez com que vamos adquirindo tal evolução, contudo, varia de espírito para espírito, desde que cada um utiliza o seu livre-arbítrio para traçar o seu próprio caminho.

O ESPIRITISMO CIENTÍFICO

Ocupa-se essencialmente com os fenômenos espíritas, isto é, os fenômenos produzidos por espíritos. É positivo e experimental como a ciência do mundo, mas não se perde hipóteses metafísicas, nem muito menos abandona a investigação pelo simples fato de os fenômenos não poderem ser repetidos a qualquer hora ou em qualquer lugar.

Observando e analisando os fenômenos mediúnicos e anímicos, o Espiritismo utiliza-se do método analítico ou indutivo. Seu objetivo de estudo é a existência do Espírito, a sua sobrevivência a morte física e a sua volta ao mundo material, fato esse denominado de reencarnação. Não descarta, porém, a influência da mente sobre o corpo e pondera que essa influência é perfeitamente possível depois que o espírito retorna ao mundo espiritual, desde que há um elemento de natureza intermediária entre os dois mundos. Descortina, então, o perispírito, o seu papel como mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico.

"Revestimento temporário, imprescindível à encarnação e à reencarnação, é tanto mais denso ou sutil, quanto evoluído seja o Espírito que dela se utiliza. Também considerado como corpo astral, exterioriza-se através e além do envoltório carnal, irradiando-se como energia específica ou aura" (Ângelis [1])

A ciência espírita tem, portanto, a finalidade da comprovação, da consolidação da realidade do espírito. Atraiu sempre para as suas lides homens notáveis, compromissados apenas com a verdade.

"As grandes vozes dos Crookes, dos Wallaces, dos Zölners, proclamou que, do exame positivo dos fenômenos espíritas resulta claramente a convição de que a alma é imortal e que não só ela não morre, mas também pode manifestra-se aos humanos, por meio de leis ainda pouco conhecidas que regem a matéria imponderável" (Delanne [3])

"O Espiritismo e a Ciência se completam um pelo outro; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha impossibilitada de explicar certos fenômenos, unicamente pelas leis da matéria; o Espiritismo, sem a a Ciência, ficaria sem apoio e exame." (Kardec [7])

O ESPIRITISMO RELIGIOSO

O aspecto religioso fundamenta-se em Jesus, conforme se lê na questão 625 de O Livro dos Espíritos :

625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para, lhe servir de guia e modelo ? "Jesus" (Kardec [6])

A idéia de religião está comumente ligada a uma organização sacerdotal, culto instituído, práticas rituais, dogmas e crendices. O Espiritismo "prega" a fé raciocinada, sem misticismos e segredos iniciáticos, na forma integral e consciente de conduta humana diante do criador (Barbosa [2]), tendo como lema "fora da caridade não há salvação."

Desta forma, o Espiritismo estimula o homem à pratica da bondade, da fraternidade, do altruismo, da humildade, do trabalho incessante em prol da felicidade do nosso próximo.

Com a Doutrina Espírita

"o Espírito voltou a ser conceituado e tido na sua legítima acepção, demonstrando, pela insofismável linguagem dos fatos, a realidade, em rigoroso apelo ao pensamento e à razão, no sentido de fazer ressurgir a ética religiosa do Cristianismo. Através desse renascimento cristão, opõe-se uma barreira ao materialismo e aponta-se ao que sofre o infinito horizonte do amanhã ditoso que espera após vencidas as dificuldades do momento, superadas as limitações, espírito que é, em marcha na direção da verdade" (Ângelis [1])

"O Espiritismo, longe de ser um adversário da religião, é uma poderosa alavanca para o erguimento desta em todas as consciências, pois não só a sua filosofia ricamente consoladora, como os fatos que vêm reforçar sua veracidade, o atesta exuberantemente, sem que até agora pudessem ter sido contestados." (LOURENÇO [5])

Allan Kardec, em discurso na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, afirmou, conforme a Revista Espírita de dezembro de 1868 :

"O Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos disso"

E na V parte da conclusão de O Livro dos Espíritos, afirma o mestre lionês :

"O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; sobretudo, porque mostra que essas penas e recompensas são corolários naturais da vida terrestre, e ainda, porque, no quadro que apresenta no futuro, nada há que a razão mais exigente possa recusar" (Kardec [6])

Grupo Berlinense de Estudos e Divulgação da Doutrina Espírita ("BSÖS")

Imagem fotolog: http://ranje.fotoblog.uol.com.br/

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • [1] ÂNGELIS, J., "Estudos Espíritas", psicog. Divaldo Pereira Franco, Ed. Feb, 4a. edição, 1987.
  • [2] BARBOSA, P. F., "Espiritismo Básico", Ed. Feb, edição, 1986.
  • [3] DELANNE, G., "O Fenômeno Espírita", Ed. Feb, 5a. edição, 1990.
  • [4] DENIS, L., "O problema do ser, do destino e da dor", Ed. Feb, 17a. edição, 1993.
  • [5] LOURENÇO, S., "Conceitos de Cairbar Schutel", Ed. O Clarim, 1a. edição, 1991.
  • [6] KARDEC, A., "O Livro dos Espíritos", Ed. Feb, 66a. edição, 1987.
  • [7] KARDEC, A., "A Gênese", Ed. Feb, 30a. edição, 1987.
  • [8] KARDEC, A., "O que é o Espiritismo", Instituto de Difusão Espírita, 28a. edição, 1993.
  • [9] PERALVA, M., "Estudando a mediunidade", 15ª edição, FEB, 1956.

06/02/2010

O LIVRO DOS ESPIRITOS

livro dos espiritos

Obra de caráter filosófico. É considerado a espinha dorsal do Espiritismo, já que todas as outras obras partem de seus princípios.
Com este livro, a 18 de Abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita. Nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador, do Paracleto ou Espírito de Verdade. Dizer isso equivale a afirmar que "O Livro dos Espíritos" é o código de uma nova fase da evolução humana. E é ex atamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente. 
Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da Doutrina Espírita. Ela é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e consolidou no mundo.
Antes deste livro não havia Espiritismo e nem mesmo esta palavra existia.
Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Kardec o lançou à publicidade, "contendo os princípios da doutrina espírita", uma nova luz brilhou nos horizontes mentais do mundo. 
Há uma sequência histórica que não podemos esquecer ao tomar este livro nas mãos. Quando o mundo se preparava para sair do caos das civilizações primitivas, apareceu Moisés, como o condutor de um povo destinado a traçar as linhas de um novo mundo e de suas mãos surgiu a Bíblia. Não foi Moisés quem a escreveu, mas foi ele o motivo central dessa primeira codificação do
novo ciclo de revelações: o cristão. Mais tarde, quando a influência bíblica já havia modelado um povo, e quando este povo já se dispersava por todo o mundo gentio, espalhando a nova lei, apareceu Jesus: e das suas palavras, recolhidas pelos discípulos, surgiu o Evangelho. 
A Bíblia é a codificação da primeira revelação cristã, o código hebraico em que se fundiram os princípios sagrados e as grandes lendas religiosas dos povos antigos. A grande síntese dos esforços da antiguidade em direção ao espírito. Não é de admirar que se apresente muitas vezes assustadora e contraditória, para o homem moderno. O Evangelho é a codificação da
segunda revelação cristã, a que brilha no centro da tríade dessas revelações, tendo na figura do Cristo o sol que ilumina as duas outras, que lança a sua luz sobre o passado e o futuro, estabelecendo entre ambos a conexão necessária. Mas assim como, na Bíblia, já se anunciava o Evangelho, também neste aparecia a predição de um novo código, o do Espírito de
Verdade, como se vê em João, XIV. E o novo código surgiu pelas mãos de Allan Kardec, sob a orientação do Espírito de Verdade, no momento exato em que o mundo se preparava para entrar numa fase superior do seu desenvolvimento. 
Hegel, em suas lições de estética, mostra-nos as criações monstruosas da arte oriental, - figuras gigantescas, de duas cabeças e muitos braços e pernas, e outras formas diversas, - como a primeira tentativa do Belo para
dominar a matéria e conseguir exprimir-se através dela. A matéria grosseira resiste à força do ideal, desfigurando-o nas suas representações. Mas acaba
sendo dominada, e então aparecem no mundo as formas equilibradas e harmoniosas da arte clássica. Atingido, porém, o máximo de equilíbrio possível, o Belo mesmo rompe esse equilíbrio, nas formas românticas e
modernas da arte, procurando superar o seu instrumento material, para melhor e mais livremente se exprimir. Essa grandiosa teoria hegeliana nos parece perfeitamente aplicável ao processo das revelações cristãs: das formas incongruentes a aterradoras da Bíblia, passamos ao equilíbrio clássico do Evangelho e, deste, à libertação espiritual de "O Livro dos Espíritos". 
Cada fase da evolução humana se encerra com uma síntese conceptual de todas as suas realizações. A Bíblia é a síntese da antiguidade, como o Evangelho é a síntese do mundo greco-romano-judaico, e "O Livro dos
Espíritos" a do mundo moderno. Mas cada síntese não traz em si tão somente os resultados da evolução realizada, porque encerra também os germes do futuro. E na síntese evangélica temos de considerar, sobretudo, a presença do Messias, como uma intervenção direta do Alto para a reorientação do pensamento terreno. É graças a essa intervenção que os princípios evangélicos passam diretamente, sem necessidade de
readaptações ou modificações, em sua pureza primitiva, para as páginas deste livro, como as vigas mestras da edificação da nova era.
 
(José Herculano Pires, na introdução de O Livro dos Espíritos)