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13/02/2010

O CARNAVAL NA VISAO ESPIRITA

 

Carnaval é tempo de festa ou reflexão?

Muitos espíritas ingenuamente julgam que a participação nas festas carnavalescas não acarreta nenhum mal a integridade psico-espiritual. E de fato não haveria prejuízo se todos brincassem num clima sadio, de legitima confraternização. Infelizmente, porém, a realidade é bem diferente. O Espiritismo esclarece que a humanidade está o tempo todo em companhia de legiões de seres invisíveis recebendo boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que se encontre cada indivíduo. Essa massa de espíritos inferiores aumenta consideravelmente nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval.
Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis.
O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes, é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. A folia já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava Bacanalia; na velha Roma dos Césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, foi chamada de Saturnalia onde nessas ocasiões se sacrificava uma vítima humana.
Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta: o que de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos. Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê o corpo e a matéria com inicio e fim em si mesmo, a causa de tal desregramento.
Mas, do mesmo modo como se pode ser facilmente dominado pelos maus espíritos quando sintonizados na mesma freqüência de pensamento, também se obtém pelo mesmo processo o concurso dos bons, aqueles que agem a favor dos indivíduos em nome de Jesus. Para isso, basta estar predisposto a suas orientações, atentos ao aviso de "orar e vigiar" que o Cristo deixou há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a prática da caridade desinteressada.
Como o imperativo maior dos espíritos é a Lei de Evolução, um dia todas essas manifestações ruidosas que marcam o estágio de inferioridade tendem a desaparecer da Terra. Em seu lugar, então, deve predominar a alegria pura, a jovialidade, a satisfação com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade.
Por maior que seja a fé de um ser diante de festas como o Carnaval, os riscos de contrariedades e aborrecimentos são muito grandes e para isso é preciso redobrar a vigilância pois como disse o apóstolo Paulo: "Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém."
site: www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo1099.html  Autor:   Texto editado da Revista Visão Espírita.   “O Espírita e o Carnaval” de Pedro Fegundes Azevedo

11/02/2010

AMA E SERVE

flor

A grandeza do amor repousa invariavelmente na conjugação do verbo servir.

Sem atividade incessante no bem, não conseguiremos derramar os valores do coração.

A própria natureza é um livro aberto nesse sentido.

Tudo, em torno de nós, é um cântico de trabalho em doações da Eterna Bondade que se evidencia no mundo, de mil modos diferentes em cada instante de nossa vida...

Por amar, em nome do Pai Misericordioso,

serve o sol, sustentando todas as criaturas;

serve o chão, nutrindo a sementeira;

serve a nuvem, criando a chuva benéfica;

serve o vento, a serviço de abençoadas fecundações;

serve a árvore, para que o bem-estar do homem

se consolide;

serve a flor, preparando a colheita;

serve a fonte, socorrendo a terra necessitada;

serve a pedra, garantindo a segurança do lar;

serve o pássaro, cooperando com o lavrador;

serve o mar, serve o rio, serve o adubo, serve o fogo...

Forças de Deus amparando a Humanidade ajudam em silêncio, sem retribuição e sem queixa...

Tudo porque o Divino Amor é devotamento, carinho, providência, abnegação...

Se desejas partilhar o concerto das bênçãos divinas, ama e serve, sem cogitar de ser amado e sem a expectação de ver-se servido...

Quem ama realmente nada pede, nada reclama, nada exige e nada procura senão a alegria do objeto amado, para que o amor se estenda, a multiplicar-se, soberano e sem fim.

Enquanto esperas o manto ilusório das considerações humanas, teu amor sofre a vizinhança da vaidade.

Enquanto aguardas a compreensão dos outros, o teu amor experimenta a inquietante aproximação do egoísmo...

Ama simplesmente.

Ajuda sem paga.

Dá sem reclamação.

Auxilia sem exigência.

E, servindo cada vez mais, serás um dia surpreendido, em pleno campo de trabalho, pelo Divino Servidor que te converterá com a sua luz em nova luz para a Terra e para os Céus.                Emmanuel

Do livro Instrumentos do Tempo. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

10/02/2010

O LIVRO DOS MÉDIUNS

mediunidade

Demonstra as conseqüências morais e filosóficas decorrentes das relações entre o mundo material e espiritual. 
Assim como O Livro dos Espíritos teve uma edição inicial de contato, ampliada definitivamente na segunda edição, também O Livro dos Médiuns foi precedido de um pequeno volume intitulado Instruções Práticas Sobre as
Manifestações Espíritas. Publicado em 1858 esse pequeno volume foi substituído, em janeiro de 1861, pela primeira edição de O Livro dos Médiuns.
A presente tradução foi feita da segunda edição, lançada por Didier & Cia. em 1862, sob revisão pessoal de Kardec: "com o concurso dos Espíritos e acrescida de grande número de novas instruções", como se lê no original francês. Foi essa a edição definitiva. 
Com a preparação deste livro, Kardec considerou o Instruções Práticas superado. Seu desejo era que os espíritas estudassem mais a fundo o problema mediúnico, não ficando apenas nas informações iniciais daquele pequeno volume. Etretanto, 65 anos mais tarde, em 1923, Jean Meyer, que então presidia a Casa dos Espíritas, em Paris, achou conveniente lançar nova edição do Instruções Práticas. Essa edição despertou, no Brasil, o interesse de Cairbar Schutel, que depois dos necessários entendimentos com Meyer lançou entre nós, pela sua modesta e heróica editora de Matão, Estado de
São Paulo, a primeira tradução brasileira da obra. Nova edição foi lançada em 1968 pela Casa Editora O Clarim, a mesma de Schutel, como parte das comemorações do primeiro centenário do nascimento de seu fundador.
Instruções Práticas se impôs novamente ao meio espírita como um livro necessário, em virtude do seu caráter de síntese. 
Apresentado por Kardec como continuação de O Livro dos Espíritos, este livro foi também considerado por ele como em grande parte obra deles, o que se pode verificar na Introdução. Os Espíritos o reviram, modificaram,
acrescentando-lhe um número muito grande de observações e instruções do mais alto interesse. É o segundo volume da Codificação do Espiritismo e,
como assinala Kardec, desenvolve a parte prática da doutrina. Por isso mesmo é o livro básico da Ciência Espírita, um tratado de mediunidade indispensável a todos os que se interessam pela boa realização de trabalhos mediúnicos e pelo desenvolvimento das pesquisas espíritas. 
A tese fundamental deste livro é a existência do perispírito ou corpo energético dos Espíritos, elemento de ligação do espírito ao corpo material. Essa ligação, de tipo energético ou vibratório, é o princípio da mediunidade. Assim como o nosso espírito anima o nosso corpo através do perispírito, constituído em vida o que chamamos alma, os demais Espíritos, de mortos ou de vivos, podem influenciá-lo. Em sintonia com o nosso espírito podem mesmo utilizar-se de nosso corpo para as suas manifestações. Dessa maneira, a mediunidade é uma condição natural do homem, uma faculdade geral da espécie humana, que se revela em dois campos paralelos de fenômenos: os anímicos, decorrentes das atividades do nosso próprio espírito fora do condicionamento orgânico; e os espíritas, decorrentes das relações naturais do nosso espírito com outros Espíritos.
 
(José Herculano Pires, na introdução de O Livro dos Médiuns, edições Lake)

08/02/2010

O TRÍPLICE ASPECTO DA DOUTRINA ESPÍRITA

espiritismo

No preâmbulo do livro "O QUE É O ESPIRITISMO", Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo:

"uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal" (Kardec [8])

E destacando os aspectos que constituem a doutrina dos espíritos, acrescenta o Codificador:

"O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas conseqüências morais que decorrem dessas relações" (Kardec [8])

Essa definição nos mostra que o alcance do Espiritismo é bem mais amplo do que podemos imaginar. Analisando com maior cuidado a seqüência de trabalhos seguida pelo Codificador, perceberemos que esta abrangência se justifica. Inicialmente, Kardec lançou mão da sonda da investigação para poder comprovar a veracidade dos fatos (ciência); em seguida, percebendo que poderia extrair conteúdo mais nobre daqueles fenômenos, formulou questões de elevado teor filosófico (filosofia); na seqüência, retomando as pesquisas científicas constatou que aquelas verdades, trazidas sob a coordenação dos espíritos superiores estavam entrelaçadas a conseqüências morais-religiosas para o Homem (religião).

A Doutrina Espírita vinha abalar os alicerces milenares do misticismo, da intolerância, da fé dogmática, do materialismo científico, e era preciso que sua autoridade tivesse apoio na verdade da revelação divina e nas provas dos fatos, a fim de que não pudesse ser honestamente contestada nos seus princípios básicos. (Barbosa [2])

Desta forma, a Doutrina Espírita precisa ser estudada e compreendida em seu tríplice aspecto, a fim de se evitar que ocorram distorções, comuns em todo corpo de conhecimento, visto que cada um de nós tendemos a interpretar as coisas da maneira que mais nos convém, mais nos agrada ou que nossas experiências pessoais permitem.

O ESPIRITISMO FILOSÓFICO

O Espiritismo é uma doutrina essencialmente filosófica. Analisando a natureza humana, algumas questões vêm atravessando séculos e civilizações :

  • existe Deus ?
  • de onde viemos ?
  • para onde vamos ?
  • por que estamos na Terra ?
  • por que e para que tanta luta ?
  • existe vida após a morte ?
  • se existe, o homem é feliz ou infeliz após a morte ?

O aspecto filosófico do Espiritismo ocupa-se com a finalidade da vida e com a destinação da alma. Mostra-nos através de um racioínio lógico que fomos todos criados simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento e sem moral desenvolvida, e que através de vidas sucessivas caminhamos para a nossa destinação que é a felicidade.

"O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio de trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que nós tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste" (Denis [4])

A medida que a alma se eleva, vai acumulando saber e virtude. A rapidez com que vamos adquirindo tal evolução, contudo, varia de espírito para espírito, desde que cada um utiliza o seu livre-arbítrio para traçar o seu próprio caminho.

O ESPIRITISMO CIENTÍFICO

Ocupa-se essencialmente com os fenômenos espíritas, isto é, os fenômenos produzidos por espíritos. É positivo e experimental como a ciência do mundo, mas não se perde hipóteses metafísicas, nem muito menos abandona a investigação pelo simples fato de os fenômenos não poderem ser repetidos a qualquer hora ou em qualquer lugar.

Observando e analisando os fenômenos mediúnicos e anímicos, o Espiritismo utiliza-se do método analítico ou indutivo. Seu objetivo de estudo é a existência do Espírito, a sua sobrevivência a morte física e a sua volta ao mundo material, fato esse denominado de reencarnação. Não descarta, porém, a influência da mente sobre o corpo e pondera que essa influência é perfeitamente possível depois que o espírito retorna ao mundo espiritual, desde que há um elemento de natureza intermediária entre os dois mundos. Descortina, então, o perispírito, o seu papel como mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico.

"Revestimento temporário, imprescindível à encarnação e à reencarnação, é tanto mais denso ou sutil, quanto evoluído seja o Espírito que dela se utiliza. Também considerado como corpo astral, exterioriza-se através e além do envoltório carnal, irradiando-se como energia específica ou aura" (Ângelis [1])

A ciência espírita tem, portanto, a finalidade da comprovação, da consolidação da realidade do espírito. Atraiu sempre para as suas lides homens notáveis, compromissados apenas com a verdade.

"As grandes vozes dos Crookes, dos Wallaces, dos Zölners, proclamou que, do exame positivo dos fenômenos espíritas resulta claramente a convição de que a alma é imortal e que não só ela não morre, mas também pode manifestra-se aos humanos, por meio de leis ainda pouco conhecidas que regem a matéria imponderável" (Delanne [3])

"O Espiritismo e a Ciência se completam um pelo outro; a Ciência, sem o Espiritismo, se acha impossibilitada de explicar certos fenômenos, unicamente pelas leis da matéria; o Espiritismo, sem a a Ciência, ficaria sem apoio e exame." (Kardec [7])

O ESPIRITISMO RELIGIOSO

O aspecto religioso fundamenta-se em Jesus, conforme se lê na questão 625 de O Livro dos Espíritos :

625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem para, lhe servir de guia e modelo ? "Jesus" (Kardec [6])

A idéia de religião está comumente ligada a uma organização sacerdotal, culto instituído, práticas rituais, dogmas e crendices. O Espiritismo "prega" a fé raciocinada, sem misticismos e segredos iniciáticos, na forma integral e consciente de conduta humana diante do criador (Barbosa [2]), tendo como lema "fora da caridade não há salvação."

Desta forma, o Espiritismo estimula o homem à pratica da bondade, da fraternidade, do altruismo, da humildade, do trabalho incessante em prol da felicidade do nosso próximo.

Com a Doutrina Espírita

"o Espírito voltou a ser conceituado e tido na sua legítima acepção, demonstrando, pela insofismável linguagem dos fatos, a realidade, em rigoroso apelo ao pensamento e à razão, no sentido de fazer ressurgir a ética religiosa do Cristianismo. Através desse renascimento cristão, opõe-se uma barreira ao materialismo e aponta-se ao que sofre o infinito horizonte do amanhã ditoso que espera após vencidas as dificuldades do momento, superadas as limitações, espírito que é, em marcha na direção da verdade" (Ângelis [1])

"O Espiritismo, longe de ser um adversário da religião, é uma poderosa alavanca para o erguimento desta em todas as consciências, pois não só a sua filosofia ricamente consoladora, como os fatos que vêm reforçar sua veracidade, o atesta exuberantemente, sem que até agora pudessem ter sido contestados." (LOURENÇO [5])

Allan Kardec, em discurso na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, afirmou, conforme a Revista Espírita de dezembro de 1868 :

"O Espiritismo é uma religião e nós nos ufanamos disso"

E na V parte da conclusão de O Livro dos Espíritos, afirma o mestre lionês :

"O Espiritismo é forte porque assenta sobre as próprias bases da religião: Deus, a alma, as penas e as recompensas futuras; sobretudo, porque mostra que essas penas e recompensas são corolários naturais da vida terrestre, e ainda, porque, no quadro que apresenta no futuro, nada há que a razão mais exigente possa recusar" (Kardec [6])

Grupo Berlinense de Estudos e Divulgação da Doutrina Espírita ("BSÖS")

Imagem fotolog: http://ranje.fotoblog.uol.com.br/

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • [1] ÂNGELIS, J., "Estudos Espíritas", psicog. Divaldo Pereira Franco, Ed. Feb, 4a. edição, 1987.
  • [2] BARBOSA, P. F., "Espiritismo Básico", Ed. Feb, edição, 1986.
  • [3] DELANNE, G., "O Fenômeno Espírita", Ed. Feb, 5a. edição, 1990.
  • [4] DENIS, L., "O problema do ser, do destino e da dor", Ed. Feb, 17a. edição, 1993.
  • [5] LOURENÇO, S., "Conceitos de Cairbar Schutel", Ed. O Clarim, 1a. edição, 1991.
  • [6] KARDEC, A., "O Livro dos Espíritos", Ed. Feb, 66a. edição, 1987.
  • [7] KARDEC, A., "A Gênese", Ed. Feb, 30a. edição, 1987.
  • [8] KARDEC, A., "O que é o Espiritismo", Instituto de Difusão Espírita, 28a. edição, 1993.
  • [9] PERALVA, M., "Estudando a mediunidade", 15ª edição, FEB, 1956.

06/02/2010

O LIVRO DOS ESPIRITOS

livro dos espiritos

Obra de caráter filosófico. É considerado a espinha dorsal do Espiritismo, já que todas as outras obras partem de seus princípios.
Com este livro, a 18 de Abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita. Nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador, do Paracleto ou Espírito de Verdade. Dizer isso equivale a afirmar que "O Livro dos Espíritos" é o código de uma nova fase da evolução humana. E é ex atamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente. 
Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da Doutrina Espírita. Ela é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou, com ele se impôs e consolidou no mundo.
Antes deste livro não havia Espiritismo e nem mesmo esta palavra existia.
Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Kardec o lançou à publicidade, "contendo os princípios da doutrina espírita", uma nova luz brilhou nos horizontes mentais do mundo. 
Há uma sequência histórica que não podemos esquecer ao tomar este livro nas mãos. Quando o mundo se preparava para sair do caos das civilizações primitivas, apareceu Moisés, como o condutor de um povo destinado a traçar as linhas de um novo mundo e de suas mãos surgiu a Bíblia. Não foi Moisés quem a escreveu, mas foi ele o motivo central dessa primeira codificação do
novo ciclo de revelações: o cristão. Mais tarde, quando a influência bíblica já havia modelado um povo, e quando este povo já se dispersava por todo o mundo gentio, espalhando a nova lei, apareceu Jesus: e das suas palavras, recolhidas pelos discípulos, surgiu o Evangelho. 
A Bíblia é a codificação da primeira revelação cristã, o código hebraico em que se fundiram os princípios sagrados e as grandes lendas religiosas dos povos antigos. A grande síntese dos esforços da antiguidade em direção ao espírito. Não é de admirar que se apresente muitas vezes assustadora e contraditória, para o homem moderno. O Evangelho é a codificação da
segunda revelação cristã, a que brilha no centro da tríade dessas revelações, tendo na figura do Cristo o sol que ilumina as duas outras, que lança a sua luz sobre o passado e o futuro, estabelecendo entre ambos a conexão necessária. Mas assim como, na Bíblia, já se anunciava o Evangelho, também neste aparecia a predição de um novo código, o do Espírito de
Verdade, como se vê em João, XIV. E o novo código surgiu pelas mãos de Allan Kardec, sob a orientação do Espírito de Verdade, no momento exato em que o mundo se preparava para entrar numa fase superior do seu desenvolvimento. 
Hegel, em suas lições de estética, mostra-nos as criações monstruosas da arte oriental, - figuras gigantescas, de duas cabeças e muitos braços e pernas, e outras formas diversas, - como a primeira tentativa do Belo para
dominar a matéria e conseguir exprimir-se através dela. A matéria grosseira resiste à força do ideal, desfigurando-o nas suas representações. Mas acaba
sendo dominada, e então aparecem no mundo as formas equilibradas e harmoniosas da arte clássica. Atingido, porém, o máximo de equilíbrio possível, o Belo mesmo rompe esse equilíbrio, nas formas românticas e
modernas da arte, procurando superar o seu instrumento material, para melhor e mais livremente se exprimir. Essa grandiosa teoria hegeliana nos parece perfeitamente aplicável ao processo das revelações cristãs: das formas incongruentes a aterradoras da Bíblia, passamos ao equilíbrio clássico do Evangelho e, deste, à libertação espiritual de "O Livro dos Espíritos". 
Cada fase da evolução humana se encerra com uma síntese conceptual de todas as suas realizações. A Bíblia é a síntese da antiguidade, como o Evangelho é a síntese do mundo greco-romano-judaico, e "O Livro dos
Espíritos" a do mundo moderno. Mas cada síntese não traz em si tão somente os resultados da evolução realizada, porque encerra também os germes do futuro. E na síntese evangélica temos de considerar, sobretudo, a presença do Messias, como uma intervenção direta do Alto para a reorientação do pensamento terreno. É graças a essa intervenção que os princípios evangélicos passam diretamente, sem necessidade de
readaptações ou modificações, em sua pureza primitiva, para as páginas deste livro, como as vigas mestras da edificação da nova era.
 
(José Herculano Pires, na introdução de O Livro dos Espíritos)

04/02/2010

A FRAGILIDADE HUMANA

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O livro Boa nova, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, contém a narrativa de várias passagens evangélicas.Alguns pequenos trechos do Evangelho ali são explicitados e desenvolvidos, de modo muito tocante. Uma das narrativas é sobre a negação de Pedro.Consta que, na última ceia, Jesus disse que sua hora se aproximava e que, no momento supremo, os discípulos se dispersariam.

Pedro desejou saber aonde o Mestre iria.Afirmou que poderia segui-lo em qualquer situação, a custo da própria vida.Jesus retrucou que, antes do galo cantar, naquela mesma noite, Pedro o negaria três vezes.Pedro sentiu-se ofendido e indagou se o Mestre o considerava mau e endurecido a tal ponto.       Jesus disse não o considerar mau ou ingrato.        Mas, que naquela mesma noite, ele aprenderia que o homem no mundo é mais frágil do que perverso.  Logo mais o Messias foi preso e os Apóstolos debandaram.Pedro começou a refletir sobre possíveis modos de salvar seu Mestre.                            Percebeu que a situação política era muito ruim.    As massas estavam sendo insufladas e acusavam Jesus de feiticeiro, traidor e herético.                                O apóstolo experimentou um grande frio no coração.Pensou nos familiares que dele dependiam, em todos os seus deveres de homem e nos castigos a que se sujeitaria, se afrontasse as convenções de Jerusalém.                                                          Nisso, uma mulher lhe perguntou se era um dos companheiros do profeta recentemente preso.      Pedro negou com veemência, tomado de forte emoção. Tentou justificar-se perante a própria consciência, sob a alegação de que precisava permanecer livre para salvar Jesus.                           Foi novamente abordado, desta vez, por um homem que lhe perguntou se tinha vindo socorrer seu Mestre.Pedro disse nunca ter considerado o preso como mestre.                                               Finalmente, um soldado o acusou diretamente de ser discípulo do Nazareno.                                         Pela terceira vez, Pedro negou com veemência.    Nesse instante, os galos começaram a cantar.        Pedro recordou as palavras do Cristo e tomou-se de infinita angústia.                                               Olhou para o lado em que ficavam as celas e viu o Mestre a contemplá-lo serenamente por entre as grades.                                                                  Sentiu profunda vergonha de seu comportamento, afastou-se de todos e começou a chorar.              Recordou sua vida e o modo ríspido com que sempre condenara os transviados ao longo do tempo.    Pensou que nunca conseguira perdoar as mulheres infelizes.Abatido sob o peso de sua própria falta, começou a compreender as experiências dolorosas dos irmãos de Humanidade.Desabrochou em seu íntimo nova consideração pelos infortunados do Mundo.Desejou ardentemente ajoelhar-se perante Jesus e suplicar-lhe perdão.Nisso, sentiu em Espírito a presença confortadora do Mestre.

E recordou que este lhe dissera:

Pedro, o homem do mundo é mais frágil do que perverso.

* * *

Procure ter isso em mente, em suas relações com os semelhantes:Todos os homens são frágeis, inclusive você.Não lhe convém fazer um juízo severo do próximo, se você também não suporta um olhar atento sobre suas fraquezas.Perante os equívocos alheios, não vista a toga de severíssimo juiz. Apresente-se antes como um irmão compreensivo e generoso, a fim de também merecer tratamento generoso, quando errar.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.  XXVI do livro Boa nova, do Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier

02/02/2010

OBSESSAO E DISTÚRBIOS FISICOPSÍQUICOS

          

          obsessao

Conforme a definição de Allan Kardec, em a Gênese, no capítulo XIV, item 45, "Chama-se obsessão à ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. Apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais."

Esta influência pode ser de uma espírito desencarnado sobre um encarnado, de um desencarnado sobre outro desencarnado, de um encarnado sobre um desencarnado, de um encarnado sobre outro encarnado e até mesmo uma auto-obsessão.

Em todos os casos, encontramos o pensamento como base destes processos, ocorrendo geralmente a vinculação de duas ou mais mentes. Estas vinculações mentais podem ocorrerem por laços do passado, através de sentimentos de ódio e vingança, por interdependência emocional, por domínio de forças com fins destrutivos ou mesmo por simples afinidade moral.

A obsessão é o pior mal da humanidade, sendo a causa de diversos acidentes, homicídios, suicídios, guerras, doenças mentais e físicas. Ainda o homem não conseguiu dimensionar esta questão tão importante, que continua gerando situações graves e problemáticas, principalmente porque se estrutura na própria intimidade do indivíduo, a nossa natureza moral. Enquanto não alcançarmos a evangelização de nossas almas haverá sempre um terreno propício a esta patologia fisicopsíquica.

O assunto é muito amplo e complexo, para não estendermos muito o presente artigo nos deteremos mais no objetivo de relacionar a obsessão com as doenças físicas e psíquicas.

A espiritualidade nos informa que estamos em constante intercâmbio de energias mentais de diversas naturezas, onde cada onda mental produz um teor vibratório específico, carregado com os elementos internos daquele que o emitiu: seus desejos, sentimentos e idéias.

Esses pensamentos podem serem balsamisantes ou venenosos, alegres ou tristes, salutares ou prejudiciais, altruístas ou egoístas, amorosos ou rancorosos, construtivos ou destrutivos, refletindo sempre o nosso estado espiritual.

A partir da nossa vida mental (nossas leituras, diálogos, idéias, objetivos, mentalizações, emoções, etc.), sintonizamos com outras mentes afins e passamos a nos alimentar com o mesmo tipo de plasma mental que conscientemente ou insconscientemente atraímos.

Estas ondas e formas mentais que gravitam em torno da nossa personalidade, formam uma atmosfera psíquica que respiramos e que nos acompanha constantemente, a qual chamamos de aura. A aura é nosso cartão de visita, por ela os espíritos enxergam a natureza dos nossos pensamentos e se sentem atraídos pela lei de afinidade e sintonia.

Quando temos um pensamento constante, persistente, criamos uma fixação mental ou monoideismo. Fica fácil para os espíritos perscrutarem a nossa alma e identificarem os nosso vícios e tendências que ficam cristalizadas em nossas mentes através da fixação mental. Identificando os nossos pontos fracos, os nossos irmãos obsessores passam a nos assediar, estimulando as nossas fraquezas.

Estas ondas mentais que gravitam em torno do nosso psiquismo, acaba atingindo as nossas células, gerando lesões estruturais e funcionais conforme o teor, intensidade e freqüência destes pensamentos.

Estas lesões celulares, determinam diversas patologias, conforme o órgão afetado, acompanhado do desajuste emocional e espiritual subjacente.

Encontramos lesões encefálicas com sintomas psíquicos, cardiopatias diversas, infecções respiratórias, doenças auto-imunes, distúrbio ciculatório, desequilíbrio hormonal, diversos tipos de câncer, entre muitas outras doenças, que nada mais são que reflexos da constante ação deletéria dos espíritos vinculados à nossas mentes e ao nosso organismo físico.

Em alguns casos, encontramos o obsidiado vinculado vigorosamente ao seu passado pelos sentimentos de culpa, remorso e medo, a se manifestarem por complexos de inferioridade, favorecendo a instalação do processo obsessivo. Personalidades frágeis, acabam aceitando as "cobranças" feitas pelos espírtitos obsessores. Certos desequilíbrios afetivos e emocionais, acabam evoluindo para quadros mais severos de neuroses ou psicoses pela influenciação obsessiva.

A obsessão é uma síndrome que envolve as questões emocionais e físicas.

No livro de André Luiz, Missionários da Luz, o instrutor Alexandre afirma: "- Assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, com reflexos sobre as células materiais.

Se a mente da criatura encarnada ainda não atingiu a disciplina das emoções, se alimenta paixões que a desarmonizam com a realidade, pode, a qualquer momento, intoxicar-se com as emissões mentais daqueles com quem convive e que se encontrem no mesmo estado de desequilíbrio.

Às vezes, semelhantes absorções constituem simples fenômeno sem maior importância; todavia, em muitos casos, são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos. Isto acontece, mormente quando os interessados não têm vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males."

Em outro trecho, Alexandre, assevera: "... o desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas. È por este motivo que as obsessões, quase sempre, se acompanham de característicos muito dolorosos. As intoxicações da alma determinam as moléstias do corpo."

É preciso termos em mente que o obsidiado é um enfermo representando uma legião de doentes invisíveis ao olhar humano, exigindo um tratamento que atinja os dois planos da vida.

É necessário evangelizar o encarnado, para que este evangelizado evangelize os seus acompanhantes. Muitos destes processos obsessivos, seguem os envolvidos por muitas encarnações, onde, geralmente, a suposta vítima é o algoz do passado.

A partir desta visão fica evidente a complexidade da questão, exigindo uma identificação de todas os fatores necessários ao tratamento da obsessão e não apenas a visão circunscrita do corpo terrestre.

Nem sempre, com o afastamento do obsessor, alcançaremos a cura do indivíduo. A evangelização do espírito desencarnado e o seu conseqüente afastamento não determina que o encarnado tenha assimilado a lição da reforma íntima e nem sempre significa a extinção da dívida.

Em outros casos, em função do tempo muito longo da atuação obsessiva sobre o organismo físico, este acaba sofrendo lesões profundas e irreversíveis, embora passíveis de melhora.

Afastado o espírito, permanece o reflexo da ação no corpo físico, exigindo o acompanhamento da medicina terrena. Infelizmente, ainda encontramos companheiros espíritas, que fazem promessas de cura sem ponderarem na gravidade e complexidade da situação.

Nosso abnegado Bezerra de Menezes, nos alerta sobre este cuidado, afirmando que muitos encarnados após o seu desencarne vem cobrar as promessas de saúde e cura que não se concretizaram.

Kardec, no livro A Gênese, orienta que "...A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; para garanti-la contra a obsessão, tem-se que fortalecer a alma...".

Precisamos de uma vontade firme para a auto-educação, na disciplina de si mesmo. Se não despertarmos para as realidades da situação e usarmos as armas da resistência, dificilmente superaremos as cristalizações mentais que afetam a nossa individualidade.

Em todos os acontecimentos desta espécie, não se pode prescindir da adesão dos interessados diretos da cura, valendo-se do auxílio exterior que lhe é prestado pelos encarnados e espíritos amigos.

Nos casos em o indivíduo perde o domínio de si próprio, juntamente com o auxílio médico, façamos uso da prece intercessória, da fluidoterapia e dos trabalhos de evangelização do desencarnados, como apoio para a sua melhora, reconhecendo que em muitos casos o processo de cura prosseguirá no plano espiritual e por outras encarnações.

Como resumo desta temática e orientação profilática da obsessão, transcreveremos alguns apontamentos dados por Manoel Philomeno de Miranda no livro Nos Bastidores da Obsessão, psicografado por Divaldo Pereira Franco:

"O pensamento é sempre o dínamo vigoroso que emite ondas e que registra vibrações, em intercâmbio ininterrupto nas diversas faixas que circulam a Terra.

Mentes viciadas e em tormento, não poucas vezes escravas da monoideia obsessiva, sincronizam com outras mentes desprevenidas e ociosas, gerando pressão devastadora.

Muitos processos graves de alienação mental têm início quando os seres constrangidos por essa força possuidora, ao invés de a repelirem, acalentam-lhe os miasmas pertinazes que determinam por assenhorar-se do campo em que se espalham.

Nos diversos problemas obsessivos, há que examiná-los para selecionar os que procedem do continente da alma encarnada e os que se vinculam aos quadros aflitivos do mundo espiritual.

Em qualquer hipótese, no entanto, as diretivas clarificantes da mensagem de Jesus são rotas e veículos de luz libertadora para ensejar a uns e outros, obsidiados e obsessores, os meios de superação.

A prece é uma lâmpada acesa no coração, clareando os escaninhos da alma.

Muitos cristãos modernos, todavia, descurando do serviço da prece, justificam a negligência com aparente cansaço, como se a oração não se constituísse igualmente em repouso e refazimento, oferecendo clima de paz e ensejo de renovação interior.

Mente em vibração freqüente com outras mentes em vibração produz, nos centros pensantes de quem não está afeito ao cultivo das experiências psíquicas de ordem superior, lamentáveis processos de obsessão que, lentamente, se transformam em soezes enfermidades que minam o organismo até o aniquilamento.

A princípio, como mensagem invasora, a influência sobre as telas mentais do incauto é a idéia negativa não percebida. Só mais tarde, quando as impressões vigorosas se fixam como panoramas íntimos de difícil eliminação, é que o invigilante procura o benefício dos medicamentos de resultados inócuos.

Atribulado com as necessidades imperiosas do "dia-a-dia", o homem desatento deixa-se empolgar pela instabilidade emocional, franqueando as resistências fisio-psíquicas às vergastadas da perturbação espiritual.

Assim, faz-se imprescindível o exercício da prece mental e habitual para fortalecer as fulgurações psíquicas que visitam o cérebro, constituindo a vida normal propícia à propagação do pensamento excelso.

Resguarde-se, portanto, e, firmado no ideal sublime com que o Espiritismo honra os seus dias, alce-se ao amor, trabalhando infatigavelmente pelo bem de todos, com o coração no socorro e a mente em Jesus-Cristo, comungando com as Esferas Mais Altas, onde você sorverá forças para vencer todas as agressões de que for vítima, e sentirá que, orando e ajudando, a paz continuará com você."

Dr. Gilson Luis Roberto
(gilson@amergs.com.br)
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